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Em Diadema, Casa do Hip Hop renasce de olho na diversidade

Nova fase da Casa começa já com a proposta de ser, não só a vitrine de novos artistas, como espaço de formação socioeducativo. Foto: Dino Santos/PMD
Nova fase da Casa começa já com a proposta de ser, não só a vitrine de novos artistas, como espaço de formação socioeducativo. Foto: Dino Santos/PMD

Enquanto Nelson Triunfo ensaia alguns passos de break com amigos de longa data, Rappin Hood troca ideias e tira fotos com jovens na casa dos seus 20 anos. Nas pick-ups, o rap de várias gerações se mistura com as palmas das rodas de capoeira e com o som do spray dos grafiteiros que terminam de decorar o ambiente.

O endereço é o mesmo que, em 1999, foi concebido justamente para tornar comum encontros como o da lenda do break com um dos cânones do rap nacional. Porém, a vi­bração é nova: abandonada por praticamente oito anos, a Casa do Hip Hip, em Diadema, acaba de renascer após intensa mobilização que envolveu ao menos quatro meses de trabalho.

Durante o evento de rei­nauguração, embora tímido em função da pandemia do novo coronavírus, ficou claro que a nova fase do local pretende fazer valer o que sempre lhe deu fama e ir além da música, da dança e do grafite. Por se tratar de um dos templos sagrados da cultura de rua do país e o primeiro espaço dedicado ao gênero na América Latina, a Casa do Hip Hop tornou-se destino obrigatório não só de nomes consagrados. O espaço também serviu de abrigo para acolher e dar visibilidade a incontáveis artistas periféricos que talvez jamais consegui­riam uma oportunidade.

REFERÊNCIA

“Essa casa inspirou muitas outras casas no Brasil e no mundo e colocou Diadema como referência no gênero. Infelizmente passamos por tempos difíceis recentemente. Costumo dizer que depois de um tempo “rebaixado”, estamos voltando para a primeira divisão”, destacou Triunfo, lembrando o estado deplorável em que encontraram o espaço no final do ano passado.

À frente da reformulação da casa – que ganhou pintura, fiação, sistema de som, portas e janelas novos, além de total repaginação estética – está Jean, filho de Triunfo, a quem também caberá missão de tornar o lugar o principal centro sociocultural da periferia diademense.

“Fico emocionado porque desde os meus três anos eu venho aqui. Cresci aqui dentro e é um orgulho imenso poder estar entre todo mundo que batalhou para reabrir este lugar e que vai continuar batalhando para recolocar a Casa do Hip Hop como referência não só para Diadema como para muitos outros lugares”, relembrou.

Quem viveu os tempos de glória da Casa do Hip Hop no passado, sabe o que significa sua reabertura. Por lá, já passaram nomes como Rappin Hood, Gilberto Gil e figuras icônicas como Afrika Bambaataa e Jurassic 5. A nova fase começa já com a proposta de ser, não só a vitrine de novos artistas, como espaço de formação socioeducativo.

Com sala de arte, estúdio, biblioteca, espaço para aulas de dança, palco para apresentações de teatro e shows, o equipamento também deverá reunir oficinas, cursos e muitas outras atividades.

REAÇÃO

Responsável pela cons­trução do espaço e agora também por “tirá-lo das cinzas”, o prefeito José de Filippi Júnior fez questão de enfatizar o esforço com o qual a sua gestão conseguiu recuperar o espaço.

De mãos dadas com Rappin Hood, o chefe do executivo declarou: “Quem não reage, rasteja. Quando viemos aqui ano passado, acharam que íamos invadir o lugar. Depois, nos deram as chaves para que pudéssemos começar a reforma antes mesmo de começar a gestão. A casa está linda. Está renovada e pronta para receber o público”.

Outro nome que também se dedicou com afinco para reabrir a Casa do Hip Hop ain­da no primeiro semestre foi o secretário de Cultura, Deivid Couto. “Nós cumprimos tudo dentro do prazo e estamos devolvendo a casa não só para os bboys e bgirls, não só para os MCs e grafiteiros, mas para toda a comunidade. Como sempre lembra Nelson Triundo, a Casa do Hip Hop é a casa da diversidade”, destacou.

“A retomada da Casa de Hip Hop é um compromisso firmado por esta gestão. A cidade toda nem vai se lembrar de que este lugar passou tanto tempo sendo mau aproveitado”, complementou Deivid Couto.

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