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Em cinco anos, indústrias fecham 90 mil postos de trabalho no ABC

Em cinco anos, o parque fabril do ABC perdeu o equivalente a um terço dos postos de trabalho que tinha no final de 2011. Desde então, o estoque de trabalhadores do setor despencou de 267,9 mil para 178,3 mil, em dezembro do ano passado – redução, portanto, de quase 90 mil empregos.

Somente em 2016 foram fechadas 20,3 mil vagas nas fábricas da região, segundo pesquisa pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). Foi o quinto ano consecutivo de queda na ocupação (veja gráfico ao lado). Nos mesmos cinco anos, o par­que fabril do Estado perdeu 607,5 mil trabalhadores, mas o tombo foi relativamente menor, de 22,2%.

A diferença está na maior dependência que as indústrias do ABC têm do setor automotivo, um dos mais afetados pela recessão econômica e que registrou, no ano passado, o quarto ano consecutivo de queda nas vendas.

No ano passado, a ocupação no setor – que reúne montadoras e fabricantes de autopeças – caiu 9,9%. Na esteira da forte queda da demanda interna, outros segmentos até registraram perdas maiores, como bebidas (-42,6%), produtos de madeira (-18,8%), equipamentos de informática (-12,5%) e máquinas e materiais elétricos (-12,2%), mas nenhum deles emprega no ABC como o automotivo.

Dos 20 subsetores acompanhados pelas entidades na região, 19 registraram queda na ocupação no ano passado. Em dezembro, segundo a pesquisa, foram fechados 950 postos de trabalho fabris nos sete municípios. Trata-se do 23º resultado negativo se­guido. O último mês que terminou com saldo positivo entre contratações e demissões foi janeiro de 2015.

Estabilização

Para 2017, no entanto, há tendência de estabilização no mercado de trabalho fabril, segundo análise do gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades, Guilherme Moreira.

“O emprego na indústria se ajustou à queda da produção. Acreditamos que o período agora seja de estabilização, com retomada mais intensa do emprego a partir de 2018”, observou.
Segundo Moreira, o setor concluiu o corte necessário na mão de obra para adequá-la ao nível baixo de produção e deve começar a recontratar caso a expectativa de expansão de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) se concretize neste ano.

A pesquisa Fiesp/Fiesp é amostral e considera empregos com e sem carteira assinada. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – que contabiliza registros administrativos de vagas formais enviados pelas empresas ao Ministério do Trabalho – foram divulgados ontem.

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