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Em ano de eleição, produtividade na Câmara de São Caetano despenca

Parlamentares focaram campanha, em detrimento da fiscalização do Executivo. Foto: Eberly LaurindoO núcleo de São Caetano do Movimento Voto Consciente, mantido pela Associação dos Amigos de São Caetano (ASACS), divulga hoje (14) os dados do Estudo Voto Consciente, análise qualitativa e quantitativa da atuação dos parlamentares da cidade que tiveram mandato entre 2013 e 2016. Os dados mostram que em 2016, ano de eleição, caiu drasticamente o número de projetos de lei apresentados: de 603 em 2015 para 259 no ano seguinte, queda de 57,05%.

Os estudos vêm sendo feitos desde 2013, com base em critérios técnicos desenvolvidos por cientistas políticos da Universidade de São Paulo (USP) e pela primeira vez é feita uma análise de todos os anos da última legislatura. “O Movimento Voto Consciente faz, há 30 anos, acompanhamento da atuação parlamentar em diferentes cidades do país. Esta é a primeira vez que um núcleo faz análise de todo um mandato”, explicou o presidente da ASACS e dirigente do Movimento Voto Consciente em São Caetano, Elísio Peixoto.

O núcleo de São Caetano é o único representante do Movimento Voto Consciente no ABC. “É uma felicidade concluir o estudo, mas também é uma tristeza constatar a baixa produtividade em ano eleitoral. Lamentamos, mas é uma realidade nacional. No Congresso Nacional, da mesma forma, o número de projetos, de leis que são votadas, cai drasticamente a cada renovação do parlamento”, pontuou Peixoto. “Os dados mostram que os parlamentares focaram a campanha em detrimento da fiscalização do Executivo. Quem perde com isso é a cidade”, afirmou.

Visibilidade

O presidente da ASACS destacou a importância de dar visibilidade aos números compilados pelo estudo. “A imprensa precisa dar luz a estas questões, porque são coisas que se não forem publicizadas, passam desapercebidas pelo eleitorado”, considerou. “É clara a influência do estudo sobre os vereadores, uma vez que em sua primeira edição foi revelada a baixa participação nas audiências públicas e a mudança ao longo dos últimos quatro anos”, completou.

O vereador que mais se destacou no mandato de 2013 a 2016, tanto na quantidade de projetos e indicações, como na qualidade dos projetos apresentados, foi Aparecido Inácio da Silva, o Cidão do Sindicato (SD).

Considerado inelegível, Cidão não chegou a disputar a reeleição. “O sentimento é de dever cumprido. Fizemos um trabalho para dar mais bem-estar aos munícipes, não visamos fazer política”, afirmou. “Tínhamos o gabinete bairro a bairro e pudemos contemplar as demandas dos moradores”, pontuou.

Cidão avalia que o trabalho de controle social do Movimento Voto Consciente é importante e deveria ser ampliado. “Outros órgãos deveriam fazer essa avaliação, porque realmente mostra para o eleitor quem é quem”, afirmou. Para o presidente da ASASC , é preciso que os eleitores se apropriem dos dados, para que possam, cada vez mais, votar de forma consciente. “É um trabalho de interesse coletivo e outras cidades precisam de núcleos semelhantes”, pontuou.

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