Economia, Notícias

Em 5 anos, vendas da indústria química do ABC caem 12,1% e emprego, 27,6%

Em 5 anos, vendas da indústria química do ABC caem 12,1% e emprego, 27,6%Em um cenário de crise eco­nômica e de fragili­zação gene­ra­lizada da indústria, as vendas do setor quí­mico do ABC encolhe­ram 12,1% nos últi­mos cinco anos. Como resultado, um em cada quatro trabalhadores do segmento perdeu seu emprego no mesmo período.

Os dados constam de es­tu­do realizado pela consultoria Maxi­Quim, que fez pela segunda vez um “raio-X” da in­dús­tria química agregada da região – a pri­mei­ra pesqui­sa foi divulgada em 2014.

No ano passado, segundo o estudo, o faturamento do setor somou R$ 58,8 bi­lhões, montante R$ 8,1 bilhões menor em termos reais do que o apu­rado em 2013 (R$ 66,9 bi­lhões) – dados que consideram tanto as vendas de produtos quí­micos de uso industrial e final quanto as vendas de transformados de plástico e borracha.

Como, no mesmo período, a indústria quí­mica brasileira cresceu 3,6%, pa­ra R$ 560 bi­lhões, a participação dos sete municípios no faturamento do setor caiu de 12,4% para 10,5%.

O estudo mostra ainda que a crise foi mais severa pa­ra os fa­bricantes de produtos químicos de uso final (limpeza, higiene pessoal, tintas, entre ou­­tros) e pa­ra os transformado­res. Um bom exem­plo é o se­tor de borracha, que sofreu retração de quase 20% na­s vendas entre 2013 e 2018.

“A indústria química está presente em praticamente todos os bens de consumo. Em um contexto de forte queda na atividade eco­nômica como a que vive­mos desde 2014, o impacto é inevitável”, explicou Flávio Chantre, gerente de relações institucionais da Braskem, durante evento rea­lizado na semana passada.

No sentido contrário, o fatu­ramento do Polo Petroquímico do ABC – começo da cadeia química, já que fabrica insumos usados por outras indús­trias – cresceu 14% na mesma compa­ração, para R$ 9,7 bilhões.

“A crise econômica afetou muito menos o Polo Petroquí­mico do que os demais níveis da cadeia química, uma vez que é formado por grandes empresas que têm no mercado externo uma forma de escoar a produção quando o interno não vai bem”, comentou Luis Pazin, diretor da Braskem e presidente do Comitê de Fomento Industrial do Polo do ABC (Cofip ABC).

Chantre destacou que a de­manda interna por resinas ter­moplásticas foi afetada pela crise no setor automotivo, que atingiu também os trans­for­madores (fabricantes de auto­peças). Entre 2013 e 2017, a produção de veículos no país caiu de 3,7 milhões (recorde) para 2,7 mi­­lhões de unidades – trajetória descendente só interrompida no ano seguinte, quando subiu para 2,8 milhões, segundo a Associação Nacio­­nal dos Fabricantes de Veícu­los Au­tomotores (Anfavea).

“Cada carro traz mais de 100 kg de plásticos, usados na produção de peças como painel, pára-cho­que e tanque de combustíveis”, destacou Chantre.

VALOR ADICIONADO

Outro dado preocupante do levantamento diz respeito ao Va­lor Adicionado Fiscal (VAF), que é utilizado pelo go­verno do Estado para calcu­lar o repasse aos municípios do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Na passagem de 2013 para 2018, o VAF da indústria química do ABC – que funciona como espé­cie de Produto Interno Bru­to (PIB) do setor – caiu 33,5%, para R$ 7 bilhões.

Apesar da for­­te queda, o setor químico au­mentou sua participação no va­lor adicionado geral da indústria do ABC, de 25,9% para 27,3%, Porém, não há o que comemorar. Afinal, o aumento de 1,3 ponto porcentual só foi possível porque o tombo do parque fabril da re­gião foi muito maior (-31,5%).

Como resultado da queda nas vendas, o nível de emprego no setor – que tem co­mo característica ser pouco intensivo em mão de obra – caiu 27,6% entre 2013 e 2018, período no qual perdeu mais de 14 mil postos de trabalho.

Da mesma forma, o número de indústrias do setor caiu 7,7%, com a extinção de 102 empresas. Desse total, cerca de 80 eram micro e pequenas, menos resilientes a crises.

Entre as indústrias que bai­xaram as portas definitivamente no período está a fábrica de poliamida e compos­tos de plástico de engenha­ria fechada pela Basf em 2015. Na­quela oportunidade, a multinacional de origem alemã atribuiu a “condições desfavo­ráveis de mercado” a decisão de encerrar as atividades da planta situada no km 18 da Via Anchieta, em São Bernardo. Quase 100 pessoas perderam seus empregos.

“O setor químico continua sendo bastante relevante para o ABC em termos de ge­ração de empregos, renda e arrecadação, mas tem so­frido com o processo de de­sindustria­lização que atinge a região”, afirmou Chantre.

Um dado positivo do estu­do é o aumento de 21,3% na produtividade medida pelo fa­turamento do setor dividi­do pe­lo nú­mero de trabalhadores.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*