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Eleições e lenta retomada da economia derrubam confiança do industrial do ABC

Eleições e lenta retomada da economia  derrubam confiança do industrial do ABC
Setor automotivo deve se beneficiar da aprovação do programa de incentivos Rota 2030. Foto: Arquivo

A lenta recuperação da eco­­nomia brasileira, o cenário po­lítico-eleitoral e a dificulda­de do governo de melhorar as contas públicas derrubaram o humor do empresariado fa­bril do ABC em setembro.

O Índice de Confiança da Indústria (ICEI) da região baixou para 51,7 pontos em setembro, contra 65,6 em janeiro e 61,5 no mesmo mês do ano passado, segundo recorte elaborado pela Universi­dade Metodista de São Paulo com base em dados de sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fe­deração das Indústrias do Es­ta­do de São Paulo (Fiesp).

O ICEI considera como pessimistas as avaliações inferio­res a 50, neutras as análises igual a 50 e otimistas as avaliações entre 50,1 e 100.
“Esse movimento de re­dução está amarrado à queda na expectativa de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, o que frustrou pro­gnósticos relativos ao ritmo de retomada da ati­vidade”, afirmou o professor Sandro Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Metodista.

Maskio aponta o boletim Focus – relatório se­manal do Banco Central com previsões dos principais eco­nomistas do país – de 16 de novembro, segundo o qual a economia brasileira deverá expandir ape­­nas 1,36% em 2018, contra projeção anterior de 2,7%.

ECONOMIA

As maiores baixas no hu­mor do empresário indus­trial do ABC no trimestre encerrado em se­tembro fo­ram observadas na confiança em relação às condições da economia (38,3 pontos) e nas expectativas em relação à economia brasileira (53,6).

A utilização da capaci­da­de ins­talada – importante indicador de atividade econômica da indústria – chegou a 65% no ABC ao final do 3º trimestre, ligeiramente superior ao índice de dezembro do ano passado (64%). Por outro lado, a sondagem registrou retração de 60 pontos em abril deste ano para 48,2 em setembro passado na disposição de o industrial regional fazer investimentos.

“A aposta é que o cenário melhore nos últimos meses deste ano e, em especial, no primeiro semestre de 2019, sob expectativa de redução das incertezas do processo eleitoral e do recém-aprovado Rota 2030 para o setor automotivo”, afirmou Maskio, referindo-se ao programa de incentivo às montadoras que investirem em pesquisa e desenvolvimento.

O programa concederá in­centivos anuais de R$ 1,5 bi­lhão às montadoras.

O economista adverte, po­­rém, que o ICEI só vai me­lho­rar em 2019 caso o novo go­verno do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) mostre capacidade de realizar reformas que recuperem o cenário das contas públicas, além de adotar mecanismos que tornem o ambiente de negócios mais favorável ao setor produtivo.

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