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Eike se entrega e indica que vai colaborar com as investigações

De acordo com a Polícia Federal, Eike não prestou depoimento assim que chegou porque é alvo de um mandado de prisão preventiva. Foto: José Lucena/ Futura Press/ Folha Press

O empresário Eike Batista se entregou na manhã desta segunda-feira (30) após quatro dias nos Estados Unidos considerado como foragido.

Suas declarações antes de ser enviado ao Complexo Penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio, indicam que ele deve colaborar com as investigações, visando benefícios da colaboração premiada.

Eike desembarcou do voo vindo de Nova York e foi imediatamente preso pela Polícia Federal. Levado para o sistema penitenciário, teve os cabelos raspados -procedimento padrão no Rio.

Em entrevista ao jornal “O Globo” e à TV Globo no aeroporto JFK, de Nova York, o empresário deu sinais de que pode firmar delação premiada com o Ministério Público Federal. “Está na hora de eu ajudar a passar as coisas a limpo. […] Vou mostrar como são as coisas, simples assim”.

O advogado do empresário, Fernando Morais, disse que não conseguiu conversar com o cliente e que era cedo para comentar uma eventual delação. Eike deve prestar depoimento nesta terça-feira (31) à Polícia Federal.

O empresário, contudo, enfrentará resistências a uma eventual colaboração. Pesam contra ele o fato de ter mentido, na análise de investigadores, sobre o repasse de R$ 1 milhão ao escritório da ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo. A versão de Eike foi desmentida pela Caixa Econômica Federal, que negou ter indicado a banca ao fundo de investimento imobiliário que formou com o empresário.

Para o Ministério Público, o criador do grupo EBX também não falou tudo às autoridades quando relatou à força-tarefa da Lava Jato em Curitiba suposto pedido do ex-ministro Guido Mantega para repassar R$ 5 milhões ao PT.

Apontado como “padrão” de empresário pela ex-presidente Dilma Rousseff, Eike teve seu auge sob o governo PT. Contudo, suas relações políticas atravessam 12 partidos, do PC do B ao DEM, para os quais destinou os cerca de R$ 12 milhões de doações eleitorais próprias ou por meio de suas empresas.

O foco das investigações é a movimentação de sua conta Golden Rock, no Panamá, citada tanto no esquema do ex-governador Sérgio Cabral, como na transferência para a Mônica Moura, mulher do marqueteiro do PT, João Santana.

No Rio, Eike é suspeito de ter pago US$ 16,5 milhões em propina a Cabral. Procuradores não determinaram quais vantagens o empresário teve ao pagar a propina. Mas a transferência, feita em 2011, coincide com fase importante na construção do porto do Açu, no Norte Fluminense, como concessão de licenças e desapropriação de terras.

Durante o voo de volta ao Brasil, o empresário também disse que os políticos o “pressionavam” a emprestar seu jato. Conforme a Folha de S.Paulo revelou, Cabral e sua mulher fizeram 13 voos em aeronaves de Eike, entre 2009 e 2011.

O empresário permaneceu como foragido por quatro dias nos Estados Unidos. Policiais federais e agentes norte-americanos fizeram monitoramento para evitar uma eventual fuga.

Sua detenção em Nova York não foi efetuada, entre outros motivos, porque a difusão vermelha da Interpol não é suficiente para realizar a prisão nos EUA. A PGR já tinha pronto um pedido de prisão preventiva para que uma eventual detenção por agentes americanos pudesse ser efetuada.

“O retorno voluntário antecipou uma prisão que seria inevitável aqui ou nos Estados Unidos, e essa custodia se mostra necessária no momento para garantia da ordem pública”, afirmou o procurador regional da República José Augusto Vagos, da força-tarefa Lava Jato no Rio.

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