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‘Efeito Biden’ e vacina da Pfizer puxam alta no Ibovespa e queda no dólar

‘Efeito Biden’ e vacina da Pfizer puxam alta no Ibovespa e queda no dólar
Ibovespa, principal índice de ações no Brasil, fechou pregão em alta de 2,6%. Foto: Arquivo

No primeiro dia útil desde que Joe Biden foi declarado o novo presidente dos Estados Unidos, o mercado de ações refletiu o bom humor dos investidores, tanto no Brasil, como no exterior. As principais Bolsas abriram e fecharam seu pregões desta segunda-feira (9) com altas expressivas – movimento que, para analistas, aponta para novo estado de espírito dos mercados com relação aos rumos da política na principal economia do mundo.

Ânimo que ganhou fôlego extra, com notícias sobre o avanço no desenvolvimento de vacina contra o coronavírus.

Antes da abertura dos mercados no Brasil e nos EUA, a farmacêutica Pfizer e a empresa de biotecnologia BioNTech apresentaram análise clínica preliminar apontando que sua vacina, atualmente em fase de desenvolvimento, registrou efi­cácia de mais de 90% na pro­teção contra a infecção da co­vid-19, em relação a um placebo. O imunizante é um dos quatro que estão nos estágios finais de testes nos EUA.

O anúncio – associado ao avanço da apuração das eleições nos EUA no fim de semana, que resultou na vitória de Joe Biden – levou o Ibovespa, principal índice de ações no Brasil, a fechar o pregão em alta de 2,6%, aos 103.515 pontos, alcançado seu maior nível desde 6 de agosto, quando bateu 104 mil pontos.

O dólar, que chegou a cair 3% no dia, para R$ 5,22, passou a subir à tarde e fechou em leve queda de 0,04%, cotado a R$ 5,3917, após movimento de realização de ganhos.

EFEITO BIDEN

Para os analistas, o que se viu nesta segunda-feira pode se sustentar no curto prazo, com ações em trajetória de alta e câmbio com tendência de queda.  Porém, o “efeito Biden“, como tem sido chamada a esperada onda de otimismo em torno da escolha do democrata para a Casa Branca, tende a ser limitada no Brasil. O obstáculo seria a condução econômica e a política do governo federal.

Para o economista do BTG Pactual digital, Álvaro Frasson, a eleição de Biden tende a acalmar um pouco os investidores, com a possível queda na oscilação da Bolsa e do câmbio. “Isso tudo anima por agora. Para o médio e longo prazos, o que vai definir o humor no Brasil vai ser a condução da política fiscal”, afirmou.

“Os Estados Unidos, o mundo e as vacinas oferecem ambiente muito favorável para a recuperação do Brasil neste momento. O governo tem a faca e o queijo nas mãos. Porém, tenho receio de que acabe cortando os dedos”, disse o diretor de Investimentos da Ace Capital, Fabricio Taschetto.

EMPRESAS

No mercado local, as maiores altas foram registradas entre os papéis das companhias aéreas, como Azul, que bateu 18,43%, e Gol, em alta de 19,94%. A CVC também teve bom dia, com seu principal papel subindo 10,46%. Essas companhias são as que mais sofrem com a pandemia de covid-19, em meio às restrições de mobilidade. Para os analistas, pegaram carona no comunicado da Pfizer sobre sua vacina, com expectativas sobre a volta à normalidade das operações.

Na direção oposta, as varejistas de e-commerce – beneficiadas pelo avanço das vendas online durante a quarentena – puxaram as maiores quedas dessa sessão. Magazine Luiza amargou queda de 3,22%, B2W obteve prejuízo de 3,15% e a Via Varejo caiu 3,54%.

O movimento da B3 repetiu o que ocorreu no exterior. As ações do aplicativo de videochamada Zoom operaram em queda de 17% durante o dia. Outras empresas de tecnologia impulsionadas pela quarentena e pelo aumento do uso de serviços digitais, como Amazon e Netflix, também viram seus papéis caírem.

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