Editorias, Notícias, Política

Eduardo Bolsonaro vira líder do PSL na Câmara e destitui 12 vice-líderes

Depois de três tentativas, o Palácio do Planalto conseguiu emplacar nesta segunda-feira, 21, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, como líder da bancada na Câmara, em substituição a Delegado Waldir (GO), que abriu mão do cargo. O primeiro ato de Eduardo como líder foi destituir todos os 12 vice-líderes do partido na Casa. A determinação atinge principalmente nomes ligados ao presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), que disputa com os “bolsonaristas” o controle da sigla.

Em outro movimento, parlamentares do grupo de Bolsonaro – também punidos na semana passada – anunciaram nesta segunda que entrarão com recursos no Supremo Tribunal Federal (STF), na tentativa de evitar a suspensão de suas atividades, como a participação em comissões da Câmara e até a expulsão. Dezenove deputados ficaram surpresos ao serem notificados, no fim do dia, de que o novo Conselho de Ética do PSL abrirá processo contra eles.

A cúpula do partido chegou até mesmo a enviar uma notificação para o próprio Eduardo, mas seu gabinete não recebeu o documento O Diretório Nacional da legenda vai se reunir nesta terça-feira, 22, em Brasília, para dar posse aos integrantes do Conselho de Ética. Como a ala pró Bivar tem maioria na estrutura partidária, o colegiado já tem como missão alvejar o grupo de Bolsonaro.

Na sexta-feira, uma convenção extraordinária do partido deu aval para tirar Eduardo da presidência do PSL em São Paulo e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) do comando do PSL no Rio. De acordo com o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP), um dos principais porta-vozes de Bivar, depois que os processos disciplinares forem abertos, os envolvidos terão cinco dias para recorrer.

A justificativa oficial da presidência do PSL para a abertura do processo é a de que os parlamentares atacaram o partido e correligionários em discursos, entrevistas e nas redes sociais. Um dos notificados foi o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que na semana passada gravou uma reunião na qual Delegado Waldir, então líder da bancada, dizia que ia “implodir” Bolsonaro e chamava o presidente de “vagabundo”. Silveira foi considerado pelo grupo de Bivar como “infiltrado traidor”.

A confirmação de Eduardo como novo líder enfraqueceu sua candidatura à embaixada brasileira nos Estados Unidos, e ocorreu em um cenário marcado por intrigas, “guerra de listas” de assinaturas por parte dos dois lados e troca de ofensas. A Secretaria-Geral da Mesa da Câmara confirmou que o filho de Bolsonaro recebeu o apoio de 28 dos 53 deputados do PSL – a lista original tinha 29 nomes, mas um não foi aceito. Até a noite, porém, ninguém tinha segurança de que ele permaneceria no cargo.

“A gente está tentando colocar panos quentes. Desde ontem (domingo) à noite estou sem falar nada em rede social”, disse Eduardo, que chegou a trocar ofensas pelo Twitter com a colega Joice Hasselmann (PSL-SP), destituída por Bolsonaro, na quinta-feira, da liderança do governo no Congresso. O tom apaziguador, no entanto, contrasta com a dispensa dos 12 vice-líderes. “O meu desejo é que o PSL voltasse a ser governo e votasse a pauta de governo. Do meu lado não tem rancor nenhum. Aqui somos políticos. Político não faz o que ele quer. Político é a arte do possível”, comentou Eduardo.

Amigo de Bivar, Waldir entregou o cargo e, logo pela manhã, gravou um vídeo dizendo que o PSL havia decidido retirar a ação de suspensão contra cinco parlamentares – Carla Zambelli (SP), Alê Silva (MG), Filipe Barros (PR), Carlos Jordy (RJ) e Bibo Nunes (RS) -, todos eles seguidores de Bolsonaro.

O anúncio da desistência foi feito após informações sobre um acordo de “pacificação” no PSL, alinhavado com a participação do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Antes de o vídeo ser divulgado, porém, a ala ligada a Bolsonaro já tentava destituir novamente Waldir. Pelo Twitter, o deputado Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara, negou qualquer acordo mediado por Ramos. “Não fiz acordo nenhum. A deputada Joice disse que eu rompi acordo. Tem de me respeitar. Eu jamais deixaria de cumprir minha palavra”, afirmou Ramos ao jornal O Estado de S. Paulo.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*