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Economia encolhe 5% em 2014, e ABC perde participação no PIB brasileiro

A indústria – sobretudo a automotiva – voltou a derrubar o Produto Interno Bruto (PIB) do ABC em 2014. Naquele ano, a riqueza gerada pelos sete municípios somou R$ 120,2 bi­lhões, montante 1,6% superior aos R$ 118,3 bilhões obtidos em 2013, mas 5% in­ferior quando aplicado o deflator oficial do PIB (6,9%), calculado pe­lo Ins­titu­to Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados constam de levantamento publicado on­tem (14) pelo IBGE, que sempre divulga os números municipais com dois anos de defasagem. Em 2013, o PIB da região havia crescido 2,7%, resultado que se seguiu ao tombo de 3,1% em 2012.

Em 2014, a economia brasileira registrou expansão de apenas 0,5%, o que já sinalizava o esgotamento do modelo de crescimento baseado apenas no consumo, adotado nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

No ABC, contribuiu para o desempenho negativo a crise no setor automotivo, carro-chefe da economia regional.

Em 2014 houve queda de 14,7% na produção de automóveis e de 24% na de caminhões e ônibus, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) – desempenho que se refletiu na diversificada cadeia do segmento.

O ABC abriga seis montadoras (Volks, Ford, Mercedes-Benz, Scania, Toyota e Gene­ral Motors) e imenso parque de produção de autopeças.

Com capacidade ociosa e debilitadas pela crise que se estende até hoje, as montadoras já adotavam naquele ano programas de flexibilização de mão de obra, como o layoff (suspensão temporária dos contratos de trabalho).

Segundo o IBGE, o valor adicionado industrial da região – espécie de PIB do setor fabril – encolheu 8% em 2014 contra o ano anterior em termos reais, para R$ 29,4 bilhões. A queda foi puxada por São Bernardo (sede de cinco montadoras) e São Caetano (uma), onde o PIB industrial caiu 9,3% e 13,7%, respectivamente.

Não por acaso, a participação da indústria no PIB dos sete municípios recuou para 24,5% em 2014, contra 25,3% no ano anterior.

No sentido contrário, os serviços aumentaram sua fatia na economia do ABC – de 46,5% pa­ra 48,5% na mesma comparação – mesmo com o encolhimento do PIB do setor em 0,8% (veja gráfico acima).

No corte geográfico, São Bernardo manteve-se co­mo a principal força da economia regional em 2014, com PIB de R$ 47,6 bilhões. Em seis dos sete municípios a produção de riquezas encolheu – a exceção foi Mauá, onde o PIB cresceu 0,94%, para R$ 11,3 bilhões.

Participação

Devido à queda de 5% no PIB local, a região voltou a perder participação relativa na economia brasileira em 2014. A “fatia” do ABC, que era equivalente a 2,22% em 2013, despencou para 2,08% no ano seguinte.

Caso fosse um só município, a região ocuparia a quarta posição no ranking dos maiores PIBs do país. A Capital paulista encabeça a lista, com 10,87% da produção de riquezas em 2012, ou R$ 628 bilhões. Em seguida figuram Rio de Janeiro (5,19%) e Brasília (3,42%). O ABC está à frente de Belo Horizonte (MG), quarta colocada com 1,52%, e Curitiba (PR), quinta com 1,37%.

Ainda segundo o IBGE, as capitais respondiam por 33% da produção de riquezas do Brasil em 2014, fatia idêntica à de 2013, mas inferior à de 2010 (34,4%).

Região perdeu quase 56% do PIB relativo em 39 anos

A participação do ABC na produção de riquezas do Brasil era, em 2014, menos da metade do que a registrada em 1975, revelando processo de desconcentração econômica, prin­cipalmente da indústria. Os números integram levantamento feito pelo Diário Re­gional com base em dados divulgados ontem (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), braço estatístico do Ministério do Planejamento.

De acordo com o levantamento, a região respondia por 4,72% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 1975. Na prática, significa que, de cada R$ 100 produzidos em riquezas e serviços no país naquele ano, R$ 4,72 tinham como origem os sete municípios. Após 39 anos, a fatia do ABC no “bolo” brasileiro era de R$ 2,08. Como o PIB regional encolheu de 2013 para 2014, a queda acumulada chega a 56%.

A explicação para a perda de participação do ABC no PIB brasileiro está no fato de que houve, sobretudo na primeira metade dos anos 1990, transferência de empresas para outras cidades, atraídas por incentivos oferecidos em troca de investimentos – a chamada guerra fiscal. Também contribuiu a abertura – promovida na mesma época – às importações, que atingiu em cheio o setor fabril da região.

Após leve recuperação du­rante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando a indústria foi artificialmente estimulada por incentivos fiscais, a participação do ABC voltou a cair com força no governo Dilma Rousseff.

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