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Economia do ABC interrompeu três anos de queda e voltou a crescer em 2017

Economia do ABC interrompeu três anos de queda e voltou a crescer em 2017
Riqueza gerada pelos sete municípios somou R$ 118,6 bilhões, alta de 0,6% em relação a 2016

A economia do ABC voltou a crescer em 2017 e interrom­peu três anos consecutivos de retração, pe­ríodo no qual perdeu quase um quarto de seu Produto Interno Bruto (PIB).
Naquele ano, a riqueza ge­rada pelos sete municípios so­­mou R$ 118,61 bi­lhões, mon­­tante 3,5% superior aos R$ 114,59 bi­lhões obtidos em 2016. Porém, quan­do é aplicado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, 2,90%), que mede a inflação oficial do país, a alta cai para 0,6%.

Os dados foram divulgados on­tem (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que publica os números municipais com dois anos de defasagem. Em 2016, o PIB da região havia caído 1,9%, resultado que se seguiu ao tombo de 16,1% em 2015 e de 6,1% no ano anterior.

Entre 2014 e 2016, a economia do ABC encolheu 22,2% e recuou ao patamar de 2005.

Em 2017, o país interrom­peu dois anos seguidos de recessão e registrou crescimento de 1,3% – impulsiona­do, principalmente, pela liberação dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), promovida pelo presidente Michel Temer.

O ano foi marcado ainda pe­­­­la desaceleração da inflação, pela situação crítica das contas públicas e, no ABC, pe­la queda no estoque de empre­gos com carteira assinada.

MAUÁ

No corte geográfico, cinco dos sete municípios tiveram queda no PIB. O resultado foi puxado por Mauá, cuja economia cresceu 8,9% em termos reais, para R$ 16,29 bilhões. No ou­tro extremo, Diade­ma registrou o pior resultado da região, com queda de 2,9%.

Segundo o IBGE, Mauá foi um dos 30 municípios que mais cresceram na passagem de 2016 para 2017.

No corte por setores, o avanço a eco­no­mia do ABC refletiu, prin­ci­palmen­te, o aumento real (aci­ma da in­flação) de 6,2% na ar­recadação de impostos, para R$ 19,08 bi­lhões, enquanto os PIBs da indústria, dos serviços e da admi­nis­tração pública encolheram.

Nem mesmo a retoma­da do setor automotivo – que, em 2017, encerrou três anos seguidos de queda na produ­ção – permitiu ao parque fa­bril do ABC fechar no “azul”.
Espécie de PIB do setor, o valor adicionado industrial da região diminuiu 0,9% naquele ano, para R$ 27,62 bilhões.

Como resultado, a parti­cipa­ção da indústria no PIB dos sete municípios caiu para 23,1% em 2017, contra 23,4% em 2016.

A cadeia automotiva tem peso importante no setor fa­bril do ABC. Segundo a Anfavea, mesmo com a alta na produção, as montadoras fecharam aquele ano com ociosidade acima de 50%, chegando a 75% entre os fabricantes de caminhões.

Assim como a indústria, os ser­viços reduziram sua fatia na economia do ABC – de 52,7% em 2016 pa­ra 52,3% no ano seguinte – devido à retração de 0,14% no PIB do setor, para R$ 62,02 bilhões.

 

Região volta a perder participação no PIB brasileiro

Mesmo com o aumento de 0,60% em seu Produto In­terno Bruto (PIB), a região voltou a perder participação relativa na economia brasileira em 2017, pelo sétimo ano consecutivo. A “fatia” do ABC, que era equivalente a 1,83% em 2016, despencou para 1,80% no ano seguinte.

Caso fosse uma só cidade, o ABC ocuparia, mais uma vez, a quarta posição no ran­king dos maiores PIBs do país em 2017. A Capital paulista encabeça a lista, com 10,6% de participação (R$ 699,3 bi­lhões). Em seguida figuram o Rio de Janeiro (5,1%) e Brasília (3,7%). O ABC está à fren­te de Belo Horizonte (MG), quarta com 1,4%, e Curitiba (PR), quinta com 1,3%.

Osasco voltou a ganhar des­taque na di­vulgação do Ins­­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além de ser a primeira cidade não-Capital a aparecer no ranking e ocupar a sexta colocação, com PIB de quase R$ 78 bilhões, o município é o líder em densida­de eco­nômica, com R$ 1 bilhão por quilômetro quadrado.

Isoladamente, São Bernar­do é o município do ABC mais bem colocado no ranking do IBGE, na 16ª posição, com 0,679% de participação no PIB nacional. Na sequência figuram Santo André (27º, 0,417%), Mauá (58º, 0,247%), Diadema (73º, 0,204%), São Cae­­tano (75º, 0,199%), Ribei­rão Pires (297º, 0,046%) e Rio Grande da Serra (1.144º, 0,009%).

Dos sete municípios, ape­nas Mauá elevou a participação no PIB brasileiro entre 2016 e 2017: de 0,232% para 0,247%.

HISTÓRICO

A participação do ABC na produção de riquezas do Brasil era, em 2017, menos da metade do que a registrada em 1975, devido à forte perda de atividade econômica e ao processo de desconcentração industrial do país.

A região respondia por 4,72% do PIB brasileiro em 1975. Na prática, significa que, de cada R$ 100 em bens e serviços pro­duzidos no país naquele ano, R$ 4,72 ti­nham como origem os sete municípios. Porém, após 42 anos, a fatia do ABC no “bolo” era de R$ 1,80. Assim, há queda acumulada de 61,8%.

A explicação para a re­dução está no fato de que houve, principalmente na primeira metade dos anos 1990, transferência de empresas para outras cidades, atraídas por incentivos fiscais oferecidos em troca de investimentos.

 

Economia de 49,2% das cidades dependia da administração pública

Quase metade (49,2%) dos municípios brasileiros tinha como principal atividade econômica em 2017 a administração pública. Os dados são da pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios 2017, divulgada ontem (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos Estados do Acre, Ro­raima, Amapá, Piauí e Pa­raí­ba, o porcentual de cidades como predominância da administração pública superou 90%.

Por outro lado, o Estado de São Paulo teve apenas 9,3% dos municípios com a economia dependente da administração pública.

Embora o setor tivesse elevada participação na economia dos municípios com menor geração de riqueza, especialmente em cidades das regiões Norte e Nordeste, os três municípios com maior participação no valor adicionado bruto da administração pública foram Brasília (9,8% do total do setor), Rio de Janeiro (4,9%) e São Paulo (4,3%).

INDÚSTRIA

Dos 279 municípios que tinham a indústria de transformação como atividade principal em 2017, 219 estavam nas regiões Sudeste e Sul.

O Estado do Mato Grosso teve o maior porcentual de municípios dependentes da agricultura (35,5%), seguido por Rio Grande do Sul (32,4%) e Paraná (30,8%).

Em 2017, cerca de um quarto do valor adicionado bruto da agropecuária teve origem em 165 municípios, sendo que 96 deles estavam nas regiões Sul e Centro-Oeste do país, sustentados pela produção de soja, algodão e arroz.

 

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