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EAD nas escolas públicas? Estamos atrasados

EAD nas escolas públicas? Estamos atrasados!
Leandro Marques é estudante de direito, vencedor do Prêmio Google Influenciadores digitais da educação de 2017. Foto: Arquivo pessoal

Desde o início da redemocratização do Estado o método de ensino brasileiro tem sido muito questionado. De um lado aqueles que acreditam que apenas o acesso à educação basta para reduzir as desigualdades. Do outro, aqueles que defendem o investimento principal na infraestrutura. Não podemos negar que o valor investido no ensino superior nas últimas décadas quase triplicou, principalmente durante o governo Lula. Porém, a pátria educadora falhou quando os resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) revelaram que a educação no Brasil ainda está entre as piores do mundo.

Agora, com essa pandemia do novo coronavírus (fato que obrigou as escolas a paralisarem as suas atividades), existe um consenso: o Brasil esteve errado desde o início, quando ignorou a importância da tecnologia nas escolas públicas. Cursos de informática extra aula até foram oferecidos em alguns Estados, mas foi tão insuficiente que não mostrou resultado.

A verdade é que os países referência em educação já introduziram o ensino tecnológico há muito tempo em suas escolas, com computadores modernos, laboratórios completos e profissionais competentes. Fizeram com que os estudantes compreendessem de cabo a rabo as funções básicas de um software e não só enviar um e-mail, como foi feito no Brasil.

Pensando nisso, a Itália, uma das principais afetadas pelo coronavírus, rapidamente iniciou as aulas à distância, logo após o fechamento das escolas, através do Skype e do Telegram, aplicativos facilmente utilizáveis pelos jovens em seus celulares. Já Nova York, iniciou as aulas online uma semana após a paralisação presencial.

No Brasil, a maioria dos Estados está utilizando apenas o Classroom da Google para passar as odiadas lições de casa, algo pouco eficiente. Passado quase um mês da paralisação das escolas, a ideia de iniciar as aulas remotas esbarra no fato de que 42% dos alunos da rede pública não terem computadores em casa. Além disso, não se tem informações precisas sobre a qualidade da internet dos que possuem acesso as redes em suas casas, fato que pode comprometer o aprendizado à distância .

A realidade é que a pandemia está nos dando a lição de que o principal investimento educacional deve ser tecnológico. Países como a Estônia, primeiro lugar no Pisa entre os países europeus, já tem história bem estabelecida de anos do uso de tecnologia na educação, algo que podemos mirar como exemplo. E isso, de maneira alguma visa substituir as escolas, mas faz com que elas possam oferecer real aprendizado e acesso aos alunos evitando, assim, a perda de aulas em uma situação parecida como a de hoje.

Leandro Marques é estudante de direito, vencedor do Prêmio Google Influenciadores digitais da educação de 2017 e palestrante sobre o protagonismo juvenil nas escolas do ABC.

um comentário

  1. Sensacional parabéns Leandro #100LimitesFutsal

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