Saúde e Beleza

É possível prevenir o autismo na gestação? Alguns fatores podem aumentar os riscos

Em mães com anemia ferropriva sobe o risco de ter filhos autistas. Foto: Daniel Reche/Pixabay
Em mães com anemia ferropriva sobe o risco de ter filhos autistas. Foto: Daniel Reche/Pixabay

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um conjunto de sinais e sintomas que afetam o neurodesenvolvimento infantil, com diferentes níveis de gravidade. Em todos os casos, há duas condições que se apresentam, que são a dificuldade de comunicação e o comportamento repetitivo ou restrito.

Não se sabe, ao certo, a causa do autismo – e estudos apontam para situações multifatoriais, como má formação cerebral, fatores ambientais e genética, sendo que os pesquisadores também avaliam as condições da gestação e da saúde materna como fatores de grande impacto no desenvolvimento do TEA.

A ginecologista e obstetra Mariana Rosario, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que quando o autismo existe pela condição genética, não há como os obs­tetras intervirem diretamente, porque não existem exames específicos para detecção de algum gene que possa indicar o distúrbio previamente. Porém, algumas condições da saúde da mulher podem indicar ao médico que terá mais chance de ter um filho autista, podendo ser prevenidas.

Mães com anemia ferropriva, por exemplo, têm maior chance de ter filhos autistas. “Isso porque a ausência de Ferro pode causar o problema. Esse nutriente é fundamental para o desenvolvimento do feto, sendo envolvido em várias estruturas, inclusive na formação cerebral. É fundamental que a mãe seja avaliada em toda a gestação, com exames bioquímicos de Ferro Sérico e Ferritina, com especial atenção ao terceiro trimestre gestacional, quando ela mais consome esse elemento”, alerta a médica.

O excesso de ácido fólico no organismo materno e a falta de metilfolato também podem levar ao autismo. O metilfolato é a versão metabolizada do ácido fólico, essencial para a formação do tubo neural do bebê, entre outras estruturas. Deve ser suplementado na mãe e no pai pelo menos três meses antes da concepção e, na mãe, durante toda a gestação, em doses adequadas às necessidades da gestante. O que ocorre é que ain­da existem médicos que suplementam as mulheres com ácido fólico e muitas delas cujos organismos não produzem a enzima capaz de transformar ácido fólico em metilfolato. “Assim, o nutriente não é absorvido adequadamente e quando há excesso de ácido fólico ou falta de metilfolato no organismo, pode aumentar a chance de autismo”, destaca Mariana.

Quem já tem um filho autista também tem grande chance de ter mais um filho com o mesmo transtorno – e algumas medidas devem ser tomadas para minimizar o risco, embora não haja garantia de que ele será completamente evitado. “O casal precisa estar cien­te dessa possibilidade. Aumentamos a suplementação de ferro e metilfolato, mas não podemos garantir que outros filhos não sejam autistas justamente pela questão genética”, explica a médica.

Alguns estudos apontam para os processos de fertilização como fator de maior risco para autismo. “Ainda são inconclusivos, mas pode haver alguma relação. A Medicina ainda tem bastante a pesquisar, neste caso”, conclui.

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