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Divulgada na noite do último dia 10 de junho nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro, a recriação do Ministério das Comunicações com a nomeação do deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) anuncia mais do que um novo passo na aliança do Governo Federal com o grupo político chamado Centrão, mas também uma jogada do Palácio do Planalto amarrando o seu destino ao da ora segunda, ora terceira emissora de TV do país. O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) do apresentador e empresário Silvio Santos, sogro do novo ministro.

O flerte com o ex-capitão do Exército se deu logo após sua eleição, ainda em 2018, quando em participação do então presidente eleito na maratona beneficente “Teleton”, Sílvio externou seu apoio e o desejo de que Bolsonaro ficasse 8 anos no comando da Nação.

Em 2019, o relacionamento se tornou mais sólido com a participação do presidente e de dois de seus filhos no “Programa Sílvio Santos” e demais atrações da emissora. Em 7 de setembro, o empresário assistiu ao desfile da Independência no palanque oficial em Brasília ao lado de Bolsonaro.

SS é governo, qualquer governo, desde a época da Ditadura Militar (1964-1985), bajula o poder de plantão visando seus interesses empresariais: concessões de TV, anúncios publicitários e ajuda em seus outros negócios como título de capitalização e bancos. Dessa vez é diferente, afinal, tem um familiar no comando de um ministério que tem o poder de interferir diretamente no setor onde ele fez carreira, fama e fortuna.

É na pasta que, por exemplo, são outorgadas as concessões de rádio e TV, se definem os direcionamentos de anúncios de publicidade estatal e também de telefonia e internet. Em décadas de apoio aos governos, o ex-camelô nunca chegou perto de tamanha influência.

Por outro lado, Bolsonaro atrela o SBT ao seu governo. Afinal, com que liberdade editorial o jornalismo da emissora poderá fazer reportagens críticas e/ou com denúncias à gestão que tem no primeiro escalão o genro do dono?

Mesmo que a nomeação de Faria seja fruto também de um acordo com Centrão, a proximidade com Silvio não deixou de ser uma qualidade para o posto, como o próprio presidente disse em entrevista.

No campo da comunicação, além da forte ação em redes sociais, o presidente vai se fortalecendo com suporte explícito de grandes players como o SBT e a Record e a simpatia de outros veículos em contraponto à líder Rede Globo.

Em resumo, enquanto um tem ministério para chamar de seu, o outro tem uma emissora para chamar de sua. E como diria aquela velha música de um programa dominical: “Mas o que vai, mas o que vai, vem”.

Caio Bruno é jornalista, pós-graduado em Comunicação

e especialista em Marketing Político. www.caiobruno.com.br

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