Diadema, Política-ABC, Sua região

Dourado: ‘secretaria atrapalhou resultados do PSDB’

Dourado: “o vereador tem de se sentar na cadeira pelo menos seis meses. Senão, é suicídio político”. Foto: Eberly Laurindo

O PSDB de Diadema amargou grande revés na eleição do último dia 2 de outubro. A legenda, que foi uma das principais aliadas no mandato do atual prefeito, Lauro Michels (PV), e que elegeu dois vereadores em 2012, tendo pretensão de conquistar três cadeiras em 2016, não conseguiu emplacar nenhum representante no Legislativo. Na avaliação do presidente da Câmara e vice-presidente municipal da sigla, José Dourado, ter passado todo o mandato como secretário de Saúde prejudicou a re­eleição do vereador José Augusto da Silva Ramos e afetou todo o projeto do PSDB.

“Ninguém imaginava que o Zé Augusto não fosse se eleger e tivesse uma votação tão pequena. Era nosso puxador de votos. O Atevaldo Leitão (suplente de vereador), também achávamos que teria um melhor resultado”, afirmou Dourado. “Acho que as pessoas queriam renovação. Escolheram pessoas jovens. Atrapalhou também o Zé Augusto passar o mandato todo na secretaria. Quem votou nele se frustrou de não poder encontrá-lo no gabinete. Passar suas demandas”, completou.

Em 2012, José Augusto teve 7.254, sendo o mais votado da cidade. O parlamentar chegou a anunciar que não concorreria mais a cargos eletivos, mas diante do bom desempenho nas urnas, foi pressionado pelos correligionários a se candidatar novamente e ajudar a eleger outros vereadores da coligação. No entanto, dessa vez, o candidato recebeu apenas 2.420 votos e o PSDB não conquistou nenhuma cadeira.

“Certamente é uma lição. O vereador que se eleger, pode ter a melhor votação possível, tem de se sentar na cadeira por pelo menos seis meses. Se não fizer isso, é suicídio político”, avaliou o presidente da Câmara. “Secretário não precisa de voto. Secretário é indicação”, concluiu.

A despeito da reeleição do vereador Marcos Michels (PSB), que também foi secretário, à frente da Educação desde 1º de janeiro de 2013 até o prazo máximo antes da eleição, o tucano avalia que houve risco de não se reeleger. “Pelo trabalho que fez, Marcos deveria ter 5 mil votos e quase ficou de fora”, pontuou. Marcos Michels obteve 2.789 votos.

Má avaliação

A má avaliação da Saúde do município, uma das áreas mais criticadas da atual administração, Zé Dourado acredita que teve pouca influência na baixa votação de José Augusto. “Pode ter sido um pouco disso. Porém, no geral, a saúde da cidade melhorou. Se o Zé tivesse ficado pelo menos seis meses como vereador, a situação teria sido diferente”, destacou.

A cidade perdeu mais de 80 médicos depois que José Augusto assumiu como secretário de Saúde. Alguns profissionais alegaram dificuldade de relacionamento com o gestor, que por sua vez, acusou os profissionais de receber sem trabalhar. A prefeitura também diminuiu o horário da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Paineiras, que deveria ser 24 horas, e passou a fechar no período noturno. A administração alegou falta de médicos e recursos para a unidade.

Outro fator apontado por Dourado como influência para o fracasso do partido foi a indefinição sobre a participação na chapa majoritária. O próprio José Augusto foi cotado para ser candidato a vice-prefeito junto com Lauro; José Dourado também foi um dos nomes citados, mas o vereador Márcio Paschoal Giudício, o Márcio da Farmácia (PV), acabou sendo o escolhido.

“Muitas pessoas nem sabiam que eu seria candidato a vereador, porque até o último momento, meu nome estava sendo considerado. Se tivesse tido mais tempo, teria me aproximado mais das bases”, considerou. O parlamentar finalizou afirmando que considera sua missão cumprida. “Tive a honra de ter quatro mandatos consecutivos. Agora vou descansar e aproveitar a minha aposentadoria”, disse.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*