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Doria quer PPPs para trem e metrô no ABC

Doria quer PPPs para trem e metrô no ABC
Doria: “Sou um gestor. Prefiro estar na política e não ser um político”. Foto: Divulgação

O ex-prefeito da Capital e pré-candidato tucano ao go­verno do Estado, João Doria (PSDB), afirmou em entre­vista ao Diário Regional que investimentos em trens e metrôs no ABC devem ser feitos com recursos da iniciativa privada, por meio de parcerias público-privadas (PPPs). “Estado e município entram em parceria, cedem o terreno e o solo, o setor privado entra e explora. Neste formato, sim, essa é uma alternativa tanto na ligação ferroviária quanto na metroviária”, pontuou.
Doria listou seu legado à frente da Capital, cargo do qual se afastou após um ano e cinco meses de mandato para a nova disputa, e declarou que o entendimento do eleitorado sobre sua decisão passa pela percepção de que a cidade ficou com um bom prefeito. Líder nas pesquisas, o tucano também é líder de rejeição.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

O senhor lidera as pesquisas de intenção de votos. Acredita em um vitória no primeiro turno, como aconteceu em 2016?

Acredito na vitória. Para vencer no primeiro turno precisamos ainda caminhar bastante, gastar sola de sapato para consolidar essa posição. Por enquanto, com humildade, quero seguir fazendo a campanha, manter essa liderança e chegar a um bom resultado. Precisamos ter humildade e res­peito pelos adversários.

O PSDB monitora em quais regiões será preciso intensificar a campanha e em quais regiões a aceitação ao seu nome é melhor?

Em todas as regiões te­remos de gastar sola de sapato para presentar nossas propostas e ouvir as reivindicações da população e das lideranças. Não haverá região prioritária. Todas são importantes.

Sua rejeição também é a maior e chega a 55% na Capital. O senhor acha que o eleitor compreendeu sua decisão de se desligar da prefeitura para disputar o Estado?

O grau de compreensão melhora na medida em que as semanas passam. A cada semana melhora a percepção de que a cidade tem prefeito, que é o Bruno Covas (PSDB), e que a cidade tem um bom prefeito. Quanto maior for essa percepção, menor será a rejeição.

O senhor ficou um ano e quatro meses à frente da Prefeitura da Capital. Pode falar em algum legado da gestão Doria na cidade?

Criamos o Corujão da Saúde, zeramos em 83 dias a fila de 486 mil exames de imagem que as pessoas aguardavam há dois anos e meio. Mais de 60 mil cirurgias de média e alta complexidade foram feitas no Corujão da Cirurgia. O Remédio Rápido subiu de 15% para 94% a disponibilidade de medicamentos nas farmácias das UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Criamos o Aplicativo da Saú­de, que permite à população usar seu celular para fazer agendamento de consulta nas UBSs sem a necessidade de ir ao local; e o Dr. Saúde, ações preventivas com 13 carretas que operam todos os dias nas áreas periféricas da cidade, fazendo exames preventivos.

Além disso, zeramos a fila da pré-escola, superamos a casa de 66 mil vagas em creche neste mês. Criamos os Centros Temporários de Atendimento, dentro do projeto Vida Nova, para acolhimento das pessoas em situação de rua. Hoje temos 4,2 mil pessoas aco­lhidas, e 2,3 mil contratadas pela iniciativa privada, onde atuam em serviços gerais.

O Empreenda Fácil reduziu de 126 para quatro dias o tempo de abertura de empresas na cidade. Desenvolvemos também o mais amplo programa de desestatização já feito em um município, que vai privatizar o Centro de Exposições do Anhembi, o Autódromo de Interlagos, concessionar todos os parques, mercados municipais, sacolões, serviço funerário, cemitérios, o serviço semafórico, terminais de ônibus. São 60 áreas de atuação. É uma revolução, pois vai diminuir o peso do Estado, melhorar a eficiência e reduzir custos.

Temos também o projeto Redenção, com atendimento a dependentes químicos. Onde havia a Cracolândia, (o número de usuários) caiu de 1,4 mil para 700 pessoas. É um trabalho contínuo, que inclui tratamento, combate e aprisionamento do traficante, acolhimento para evitar que tenham a tentação do uso de entorpecentes. O programa esportivo, de valorização do esporte, visa afastar os jovens das drogas.

A prefeitura adotou medida considerada drástica por alguns e corajosa por outros, no enfrentamento ao tráfico de drogas e no tratamento aos dependentes que circulavam pela chamada Cracolândia. O senhor avalia que a decisão foi acertada?

Acertadíssima. É preciso ter coragem e visão humanitária. Coragem para combater os traficantes e a criminalidade nessa área. Muita determinação também, com uma ação conjugada com as polícias, a GCM, continuamente. Humanitária, porque temos de compreender a importância do acolhimento dessas pessoas para que possam ser convencidas de que o tratamento é bom e vai ajudá-las a ter uma vida melhor. Por fim, é preciso convencimento, porque não há internação compulsória.

A antiga Cracolândia, que ocupava quarteirões naquela região da Dino Bueno, da Rua Helvétia, não existe mais. A área era de domínio do PCC (Primeiro Comando da Capital), mas não é mais, pertence à cidade. Há dependentes, há traficantes, mas domínio de área pelo tráfico, como existia há 22 anos, deixou de existir. O projeto Redenção foi correto, uma ação integrada com o governo do Estado e que precisa ser continuada, tanto com tratamento aos dependentes, quanto com aprisionamento e punição aos traficantes.

A pulverização dos pontos onde as pessoas se concentram para usar drogas foi um reflexo dessa ação?

Na verdade há mais três áreas, na região da Roberto Marinho, na Vila Nova Leo­poldina e na Radial Leste. Já existiam, mas diminuiu também, porque fizemos três unidades do Atende, com atendimento para dependentes, onde podem tomar banho, ter atendimento médico se desejarem, alimentação, dormir, tem roupa de cama, toalhas, kits de higiene pessoal. Ali são abordados pelos assistentes sociais, há serviços para valorizar essas pessoas e convencê-las a se tratar. É um trabalho contínuo.

Que política pretende adotar para enfrentar esses mesmos problemas em âmbito estadual, caso seja eleito, haja vista que o crack tem se espalhado pelo Interior?

O crack não é um problema nacional. É um problema mundial. É preciso ter coragem para combatê-lo no plano policial, médico, social e educacional. A pior alternativa é não fazer, ou usar o subterfúgio que o PT e alguns ideólogos imaginaram na chamada “política de redução de danos”, que nada mais é que deixar o drogado continuar a consumir drogas apenas dando a ele assistência enquanto existe o consumo. Isso é inaceitável, não só é desumano como absolutamente condenável. O Estado tem de reagir, salvar essa pessoa, e não fazer redução de danos.

No ABC, o governo do Estado tem demandas que já se tornaram históricas, como o Expresso ABC, ligação ferroviária rápida entre a região e a Capital; e a Linha 18 do Metrô, que vai ligar São Bernardo a São Caetano, passando por Santo André. O senhor acredita, caso seja eleito, que essas obras possam sair do papel?

Sim, desde que financiadas pelo setor privado. O setor público não vai financiar programa de metrô e ferrovia, mas pode concessionar, por meio de PPPs, para que esses programas possam avançar com financiamento privado. O Estado e o município entram em parceria, cedendo terreno, solo, e o setor privado entra e explora. Neste formato, sim, essa alternativa tanto na ligação ferroviária quanto na metroviária.

A malha ferroviária do ABC está deteriorada e os trens normalmente andam abaixo da capacidade de velocidade. Seu plano de governo prevê investimentos para essa área?

Investimentos privados e podem vir, inclusive do exterior, que tem interesse, porque há volume. Há constância no número de passageiros que permite que um projeto privado fique de pé e ofereça ren­tabilidade para o investidor.

O PSDB expulsou políticos como o prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, e o atual secretário de Educação do Estado, João Cury, por declarar apoio ao governador Marcio França (PSB). Essa postura será uma regra entre os tucanos, independentemente do histórico do filiado?

Daqui para frente vai. Quem é PSDB é PSDB. Quem não se sentir bem ou não quiser apoiar os candidatos do partido, peça para sair. Nós não temos filiados prisioneiros, mas também não queremos filiados traidores. Quem não se sentir bem com um candidato, saia e seja feliz em outra legenda, com outro candidato. Porém, os que permanecerem deverão seguir as regras e apoiar nossos candidatos.

O ABC se transformou de reduto petista para azul na eleição de 2016. O PSDB conquistou três prefeituras, enquanto o PT perdeu o mesmo número. A que o se­nhor atribui essa mudança?

Aos bons candidatos do PSDB, a uma boa campanha e, modéstia à parte, à própria vitória na Capital. O prefeito era o Fernando Haddad, e o Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) fez campanha para o Haddad no primeiro turno. Isso também contribuiu para a vitória dos candidatos que disputaram essa eleição em nome do PSDB no segundo turno. Bons candidatos, bons programas e bons prefeitos. Em sua maioria, jovens. Isso é um ponto positivo, pois trazem novas propostas e inovação à gestão pública municipal.

No outro extremo dessa questão, o PSDB governa o Estado há 24 anos. Há também necessidade de renovação?

É o que desejamos fazer agora, com minha candidatura. A pedido de deputados, prefeitos, vereadores, disputamos as prévias e vencemos com 80,26%. Agora vamos disputar o governo do Estado, com esse sentimento: valorizar o que foi bem feito pelos governadores Alckmin, José Serra, Mário Covas e até Franco Montoro, mas buscar inovações, transformações, resguardar as boas lições e modernizar e inovar no que for necessário. Nosso desejo é que a sigla se posicione, defenda pontos de vista.

O senhor se elegeu com a bandeira do “não político” e, em dois anos, se prepara para disputar sua segunda eleição. O Sr. ainda se considera um não político?

Não, continuo sendo um não político. Sou um gestor, estou na política e quero continuar assim. Não desrespeito os políticos. As pessoas devem ter a compreensão de que a democracia exige a presença dos políticos, mas eu prefiro estar na política e não ser político.

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