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Doria troca monotrilho por BRT e anuncia modernização de trens da CPTM e nova linha do metrô

Atualizado às 0h45

Doria troca monotrilho por BRT e anuncia modernização de trens da CPTM e nova linha do metrô
Morando, Serra, Rodrigo Garcia, Doria, Baldy, Auricchio e Henrique Meirelles, durante coletiva. Foto: Governo do Estado

O governador João Doria (PSDB) confirmou nesta quarta-feira (3)  a substituição do monotrilho pelo BRT (ônibus) como modal para a Linha 18-Bronze, que ligará o ABC à estação Tamanduateí, na Capital.

A mudança integra pacote de mobilidade anunciado para o ABC, que inclui a modernização da Linha 10-Turquesa da CPTM e a contratação de projeto para a Linha 20 do metrô, que ligará o bairro Rudge Ramos, em São Bernardo, a Lapa, na Capital, passando pelas avenidas Faria Lima e Berrini.

Doria disse, durante a coletiva no Palácio dos Bandeirantes, que a troca no modal não implicará em prejuízos para o usuário, uma vez que o BRT custará um décimo do preço do monotrilho (R$ 600 milhões, contra R$ 6 bilhões), terá a mesma capacidade (começando em 150 mil passageiros/dia por percurso até 340 mil), o tempo de percurso (não informado) será o mesmo e o prazo de execução das obras será menor (18 meses, contra cinco anos do monotrilho).

O governador explicou que o atual contrato para a execução da Linha 18 será extinto e que uma nova licitação será aberta para a contratação do BRT. “Ainda que o monotrilho fosse o modal escolhido, teríamos problemas, porque o fabricante (das composições) faliu”, argumentou Doria.

O tucano revelou também que as composições da Linha 10-Turquesa serão substituídas por modelos das séries 7000 e 7500, de oito portas por vagão (os atuais têm quatro) a partir da semana que vem. O governador só não explicou se os carros são novos ou se circularam em outras linhas da CPTM.

A ideia, segundo Doria, é dar “padrão de metrô” a Linha 10. O pacote contempla ainda a modernização do sistema e das estações do ramal, de forma a reduzir o intervalo entre as composições, e a construção da estação Pirelli, em Santo André, nas proximidades do Atrium Shopping.

A estação também terá um terminal rodoviário, para o qual serão destinadas as linhas municipais que servem a região da Vila Luzia.

LINHA 20

Doria também autorizou a contratação dos projetos para a implementação da Linha 20-Rosa, que nascerá na tríplice divisa entre São Bernardo, São Caetano e São Paulo. A ideia inicial é que o traçado passe pelas avenidas Faria Lima e Berrini, na Capital, mas mudanças no projeto não estão descartadas.

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, reconheceu que a Linha não passará pelo ABC, mas disse que mudanças nos modais de pequena capacidade (linhas de ônibus municipais e intermunicipais) poderão ser feitas para abastecer a estação.

 

Consultor vê BRT ‘em plenas
condições de atender a região’

A troca do monotrilho pelo BRT (ônibus rápido) como modal para a Linha 18-Bronze representa a “substituição de uma ideia por um sistema que tem plenas condições de atender o ABC”, afirmou o arquiteto e urbanista Flaminio Fichmann, que presta consultoria nas áreas de transporte e mobilidade urbana.

“O governador (João Doria) trocou uma ideia, que não avançou em nada e com uma empresa (Scomi, que seria responsável pelo fornecimento dos trens) que dei­xou o país, pelo BRT, que tem condições plenas de ser implementado. Doria até poderia ter empurrado (o atual contrato) com a barriga, mas parece disposto a entregar um sistema efetivo para o ABC”, afirmou Fichmann.

O consultor ressaltou que ainda não há, no país, um BRT de última geração em funcionamento, o que dificulta a avaliação do modal. Além disso, segun­do o consultor, “o monotrilho foi vendido erroneamente como me­trô, mas não é metrô”.

“A comparação só é possível com algo que se conhe­ce. Hoje, a gente tem a possibilidade de implementar um sistema altamente eficiente no ABC”, disse Fichmann, ressaltando que o BRT foi implementado em 44 países e 203 cidades.

O consultor destacou ain­da que, com a adoção de veículos elétricos e de linhas expressas, o BRT pode até ser mais rápido do que o monotrilho.
No sentido contrário, o professor de Arquitetura e Urba­nismo da Universidade de São Caetano (USCS) Enio Moro Jú­nior lamentou que o custo tenha prevalecido na decisão sobre a Linha 18. “A melhor solução seria o metrô. O BRT funciona em Curitiba (PR), em regiões com menor densidade (populacional), mas não no ABC. Além disso, o BRT não requalifica o espaço urbano.”  (Reportagem Local)

Multa por quebra contratual
pode chegar a R$ 270 milhões

A substituição dos planos para a Linha 18-Bronze do Metrô, que ligará o ABC à Capital, poderá no extremo custar R$ 270 milhões ao governo paulista. Essa é a penalidade prevista no contrato com o Consórcio Vem ABC – contratado em 2014 para a construção de um monotri­lho – para quebra contratual.

O presidente do Vem ABC, Maciel Paiva, afirmou que ain­da não foi contatado pelo gover­no – nem no processo de rediscussão do modal, nem após a decisão, anunciada ontem (3) em coletiva de imprensa. Paiva ressalta que, como o go­vernador João Doria (PSDB) sinalizou que quer tentar uma solução amigável, vai esperar a manifestação do governo para decidir o próximo passo.

“O governo disse que vai tentar uma revisão amigável. A gente não pode dar um próxi­mo passo até escutar. Se o go­verno conversar com a gente de forma que nos atenda, tudo bem. Senão, vamos seguir o rito contratual, que prevê a arbitragem. Porém, não estamos aqui para brigar”, disse.

A empresa disse já ter gasto ao menos dois terços dos R$ 38 milhões aportados em 2014 para capitalizar a empresa enquanto esperava a decisão do governo. Participam do consórcio as empresas Primav (55%) – acionista majoritária da EcoRodovias –, Cowan (22%), Encalso (22%) e Benito Roggio (1%). Os recursos gastos até agora foram investidos para adiantar documentações e estudos que só seriam feitos após o início efetivo do empreendimento.

Paiva ainda rebateu o argumento de que, com o novo aditivo contratual, o valor gasto pelo governo seria maior que o previsto inicialmente (R$ 4,7 bilhões). “O valor é o mesmo, os aditivos só tratam de prazo”, disse, ressaltando ainda que, apesar de o governo ter dito que o BRT tem condições de operar 18 meses após a assinatura do contrato, uma nova licitação demora, em média, ao menos dois anos para sair. (AE)

 

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1 comentário

  1. Saindo de São Bernardo e indo de Ónibus até o Sacomã chego 1 hora antes na Lapa indo de Metro/Trem, este traçado com base na linha que vai do Rudge passando pelo Taboão, zoológico e chegando na estação Saúde não tem público por ser extremamente moroso e perde de goleada das linhas que ligam São Bernardo até o Sacomã.
    Pega este BRT liga ele do Riacho até a estação do Sacomã e teremos custo zero de desapropriação e velocidade.
    Quem desenhou esta linha não sabe nada de transito muito menos de transporte público de São Bernardo, as atuais linhas de ónibus que ligam São Bernardo até Metro Saúde estão minguando devido não haver público a não ser nos horários de pico e fora destes horários circulam vazios enquanto que as linhas do Terminal Sacomã circulam cheios o dia inteiro.

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