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Dólar vai a R$ 4,10 e Bolsa fica abaixo de 90 mil pontos

A piora do ambiente político em Brasília e novo capítulo da guerra comercial entre Estados Unidos e China impulsionaram o dólar, que fechou o pregão de sexta-feira (7) em alta de 1,60%, a R$ 4,10, maior cotação em oito meses. Já o Ibovespa amargou o terceiro pregão consecutivo de queda, perdendo o nível dos 90 mil pontos e fechando aos 89,992 pontos – queda de 0,04%.

Diante da alta do dólar, o Banco Central anunciou que fará leilão de US$ 3,75 bilhões, entre segunda e quarta-feira da próxima semana, para aumentar a previsibilidade da moeda.

Os leilões de linha – venda de dólares com compromisso de recompra no futuro – que o Banco Central (BC) anunciou servem para aumentar a previsibilidade da moeda americana. Nesse tipo de operação, o BC oferta dólares para reduzir a pressão sobre a divisa.

Nesta sexta-feira, a moeda americana atingiu a sua maior cotação desde 19 de setembro do ano passado, quando o dólar chegou a R$ 4,13. Na ocasião, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou, ainda durante o processo eleitoral, que estudava a criação de um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Em uma semana marcada pelos protestos em todo o país contra o bloqueio de verbas para a educação, pelo embate entre parlamentares e o mi­nistro da Educação, Abraham Weintraub, durante audiência pública no plenário da Câmara e pela quebra de sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, o dólar acumulou valorização de 3,93%.

Analistas ouvidos pelo Estado avaliam que a moeda americana deve demorar a ficar abaixo dos R$ 4 novamente. A sensação é de que o voto de confiança que havia sido dado ao governo no começo do ano foi substituído pela descrença.

“Por um lado, há um desconforto com a atual situação política. Porém, também há reação às especulações de que o Comitê de Políticas Monetárias (Copom), do Banco Central, comece a baixar os juros básicos, para tentar aquecer a economia. Se a ideia de cortar juros ganhar força, é natural que o dólar suba”, avalia o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Além disso, uma sequência de indicadores econômicos fracos – na indústria, no varejo e no setor de serviços durante o primeiro trimestre -, em meio à tramitação tortuosa da reforma da Previdência na Câmara, azedaram as expectativas do mercado e dos economistas.

EXTERIOR

Já no exterior, com o agravamento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China e uma melhora no índice de confiança do consumidor americano, o dólar avançou ante divisas fortes e emergentes. Porém, a exemplo do pregão da última quinta-feira, as questões políticas levaram o real a ter o pior desempenho entre seus pares.

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