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Dólar inicia semana em queda, mas clima ainda é de cautela

Dólar inicia semana em queda, mas clima ainda é de cautela
Dólar à vista fechou em queda de 0,19%, a R$ 4,9283. Foto: Arquivo

Depois de uma manhã volátil e de operar de lado pela maior parte da tarde, o dólar perdeu força na reta final do pregão e encerrou a segunda-feira (28) em terreno negativo. Ope­ra­do­res atribuíram a queda da moe­da americana a fluxos pontuais de entrada de recursos e ao tom ameno de declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano).

Com máxima de R$ 4,9725 e mínima de R$ 4,9183, registrada na última hora de negócios, o dólar à vista fechou em queda de 0,19%, a R$ 4,9283. Com as perdas de ontem, acumula desvalorização de 5,68% no mês.

“De manhã parecia que o mercado iria corrigir para ci­ma, com o ambiente externo, as preocupações com a CPI da Covid e a reforma tributária. Porém, o dólar se acomodou lá fora e acabou perdendo força por aqui”, afirmou Hideaki Iha, operador da Fair Corretora.

A despeito da acomodação ao longo da tarde, o clima ain­da é de cautela nas mesas de operação. No exterior, há certa apreensão com o eventual impacto da disseminação da variante Delta do coronavírus e a expectativa para divulgação do relatório de emprego (Payroll) nos Estados Unidos em junho, na sexta-feira. Dados mais fortes que o esperado podem atiçar os debates sobre eventual alta mais cedo dos juros norte-americanos, o que poderia abalar as moedas emergentes.

Por aqui, investidores ainda digerem a proposta de taxa­ção de dividendos apresentada pelo governo na última sexta-feira e monitoram os desdobramentos políticos dos trabalhos da CPI da Covid, que apura suposto superfaturamento na proposta da compra da vacina Covaxin.

No mercado, teme-se que o desgaste do presidente Jair Bolsonaro e novas fissuras em sua base no Congresso atrapa­lhem a votação de reformas. O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou notícia-crime contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal sobre suposto caso de prevaricação relacionadas à aquisição da Covaxin.

Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank, ressalta que o aumento do risco político provoca ruído no mercado e que o dólar já caiu bastante e de forma rápida, o que limita as chances de apreciação adicional do real no curto prazo. “No longo prazo, a perspectiva para o real é boa, mas a moeda se valorizou muito rápido. No momento, eu não sou mais ‘vendedor’ de dólares“, diz o tesoureiro.

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