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Dólar desacelera alta após bater em R$ 4,50, mas tem novo recorde

Dólar desacelera alta após bater em R$ 4,50, mas tem novo recorde
Câmbio também tem sido pressionado por ruídos políticos internos. Foto: ABr

Após bater em R$ 4,50 no início da tarde, a valorização do dólar perdeu fôlego e a moeda norte-americana fechou em R$ 4,47, novo recorde histórico. A preocupação com o coronavírus seguiu como foco principal dos investidores e declarações do governo de Israel, de que o país está prestes a desenvolver a primeira vacina, ajudaram a trazer algum alívio temporário no mercado internacional.

No Brasil, operadores ressaltaram que os ruídos políticos ganharam nesta quinta-feira (27) peso importante para o enfraquecimento do real, com o temor de que as manifestações de apoio do governo atrapalhem a aprovação de reformas, mesmo aquelas dadas como certas, como a independência do Banco Central. No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,79%, a R$ 4,4764, a sétima alta seguida e novo recorde histórico. No início da noite, o BC anunciou novo leilão extra de dólar para a manhã desta sexta-feira, de US$ 1 bilhão.

A moeda americana sobe 4,47% no mês, isso depois de ter registrado alta de 6,8% em janeiro. Assim, o real é a moeda com pior desempenho no mercado internacional no mês e no ano, considerando cesta de 34 divisas fortes e emergentes.

O sócio-fundador da Veedha Investimentos, Rodrigo Marcatti, ressaltou que o dólar vem se fortalecendo no mundo todo, por causa da aversão ao risco gerada pelo avanço do coronavírus. Porém, a convocação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no WhatsApp para protestos contra o Congresso, no próximo dia 15, agravou a situação, fazendo o risco-País subir. O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil bateu em 133 pontos, alta de 40 pontos em relação a segunda-feira, chegando ao maior nível desde outubro.

Marcatti disse que a busca de proteção no câmbio por tesourarias também ajuda a pressionar a moeda americana. O BC colocou nesta quinta-feira mais US$ 1 bilhão no mercado em dinheiro novo, via swap cambial (venda de dólar no mercado futuro). No dia anterior havia injetado US$ 500 milhões.

Para um ex-diretor do BC, a estratégia da instituição para o câmbio deixa claro que o BC não quer mudar a tendência do mercado ou determinar um preço para o dólar. “O objetivo é dar liquidez”, disse, destacando que, esta semana, a visão é que a demanda maior estava no mercado futuro e não no à vista. Por isso, a opção por swap.

O ex-diretor avaliou que o discurso do governo não ajuda, ao não mostrar pragmatismo e ainda gerar ruídos desnecessários, que repercutem mal aqui e lá fora. Disse ainda que o investidor estrangeiro não vai voltar enquanto “o crescimento econômico não começar a impressionar”.

Bancos seguem cortando as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Nesta quinta-feira foi o Bank of America Merrill Lynch que reduziu de 2,2% a 1,9% a estimativa de alta em 2020.

BOVESPA

Após buscar os 103 mil pontos logo na abertura da sessão, o Ibovespa oscilou entre os 104 mil e os 106 mil pontos na maior parte da tarde, ao sabor do humor externo e das variações nas ações em Nova York e nos preços do petróleo, mas encerrou na mínima do dia, em queda de 2,59%, aos 102.983,54 pontos, com a piora em Wall Street.

Depois de ceder quase 8 mil pontos na Quarta-feira de Cinzas, o Ibovespa fechou no menor nível desde 10 de outubro (antes da aprovação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado).

 

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