Diadema, Política-ABC, Sua região

Discurso do PT de não se aliar a siglas que apoiaram impeachment fica em 2º plano

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) fez com que o Partido dos Trabalhadores declarasse, em âmbito nacional, que não apoiaria ou se aliaria com legendas que foram chamadas por eles de golpistas. No ABC, essa teoria se manteve apenas em Diadema, já que nas outras cidades foram muitas as coligações com siglas que encamparam o afastamento. No segundo turno, no entanto, parlamentares petistas deixaram de lado a conjuntura nacional em prol de derrotar o atual prefeito, Lauro Michels (PV), apoiando o também candidato e vereador Wagner Feitoza, o Vaguinho (PRB).

O PRB apoiou desde o início o afastamento de Dilma e ocupa atualmente o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com o presidente nacional licenciado do PRB, Marcos Pereira, à frente da pasta. Entre os vereadores que terminam o mandato este ano, os sentimentos são relativamente divididos, mas há o consenso de que é preciso privilegiar a conjuntura local, independentemente da conjuntura nacional.

Oficialmente, o PT de Diadema liberou seus filiados e militantes para posicionamento no segundo turno, com recomendação de não votar em Michels. O candidato derrotado no primeiro turno, vereador Manoel Eduardo Marinho (PT), frisou que no segundo turno optou pela neutralidade e não vai fazer campanha para Vaguinho. “O partido liberou, os vereadores estão na campanha. Estou neutro no processo e não estou apoiando. Vou votar no Vaguinho, que é diferente de apoiar”, afirmou. “Vou votar 10, não vou me acovardar. Sou 13, mas vou votar 10, isso é importante ficar muito claro”, completou.

Situação dramática

Sobre apoiar um partido que atuou pelo impeachment, Maninho reconhece que essa discussão ainda não se esgotou no partido. “É uma situação extremamente dramática. O PT tem de fazer um congresso para discutir tudo isso, mas nesse momento você tem de pensar nas pessoas que vivem na cidade, no dia a dia. Esses vereadores eleitos vão sofrer na pele esse desastre da administração atual, se ela vier a continuar na prefeitura, por isso que optaram e vamos respeitar tanto quem decidiu apoiar, quanto quem decidiu ficar na neutralidade. Foi clara a decisão do PT: fora Lauro, não ao Lauro. Em hipótese nenhuma”, destacou.

O vereador José Antônio, que apesar de ter sido o 12ª mais votado não se reelegeu, corroborou as palavras do colega de bancada. “O objetivo é muito claro. Recuperar a educação, as creches que foram fechadas, valorizar os professores, cumprir o estatuto do magistério, reabrir os equipamentos de saúde que foram fechados, essas são as propostas que a gente já defendia na nossa campanha”, explicou. “Nesse momento, a gente compreende essa discussão partidária, mas não podemos ser omissos. (Vamos) votar no Vaguinho, em defesa da nossa cidade, das politicas públicas que foram construídas ao longo do ano e estão sendo desmontadas pelo atual prefeito”, concluiu.

Reeleito com a maior votação do Legislativo diademense e líder da bancada petista, Ronaldo Lacerda minimizou o apoio ao PRB. “Algumas correntes internas do PT, alguns militantes falaram isso, de não se aliar com partidos que apoiaram o impeachment. Nossa posição de bancada sempre foi muito clara, a nossa tática eleitoral seria receber o apoio do Vaguinho em um possível segundo turno do Maninho e a gente também apoiar o Vaguinho se ele fosse para disputa do segundo turno”, justificou. “A gente tem a consciência que tomou a atitude correta e respeitamos aqueles que acham que o PRB, porque tomou essa atitude em âmbito nacional, tem de ser penalizado aqui também”, pontuou. Os vereadores Josa Queiroz e Orlando Vitoriano, reeleitos, também declararam apoio a Vaguinho.

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