Saúde e Beleza

Determinação e otimismo na luta contra o câncer de mama

Determinação e otimismo na luta contra o câncer de mama
Natália: “não desistam de procurar o diagnóstico”; Rozeneide: “é importante a gente se olhar”. Fotos: Ester/Realce Singular Fotografia & Design

A descoberta do câncer de mama é um momento de incerteza e medo. Perda dos cabelos e das sobrancelhas. O mal-estar da quimioterapia e as intermináveis sessões de radioterapia. Esse mundo novo afeta a autoestima das mu­lheres, que, muitas vezes, não se sentem mais femininas e belas.

Pensando nisso, a Faculdade Diadema (FAD) proporcionou durante as ações do Outubro Rosa um dia muito especial para quatro mu­lheres que passam pelo tratamento do câncer. Nesse “dia de princesa”, todas foram maquiadas e produzidas para serem fotografadas por um profissional. O resultado não poderia ser diferente: mulheres lindas, determinadas e otimistas na luta contra o câncer.

Entre as histórias dessas guerreiras, algumas situações coincidem: os exames preventivos não mostraram, em um primeiro momento, o carcinoma, e o apoio da família e dos amigos foi fundamental para passar pelo processo.

Determinação e otimismo na luta contra o câncer de mama
Ednilse: “cada dia era um desafio a vencer”; Adeniuza: “enfrente o medo e faça os exames”

Natália Bergelino Rodrigo des­cobriu em outubro de 2018 que estava com um tumor. “Minha mama esquerda começou a ficar enrijecida, como se estivesse amamentando. Como não melhorou em uma semana, procurei um ginecologista. Havia se passado ape­nas sete meses dos meus exa­mes anuais, e estava tudo normal. O ginecologista disse que era uma mastite, não precisava me preocupar, pois não havia nódulo palpá­vel. Fiz todos os exames novamente. Ultrassom das mamas, mamografia e os demais. Não aparecia nada. Diante disso, foi receitado antibiótico. Porém, dez dias depois estava pior, dolorido, inchado, vermelho e quente. Retornei ao médico, que me encaminhou ao mastologista, o qual mandou fazer uma ressonância e outro ultrassom, mas nada apareceu. Então, ele desconfiou que pudesse ser câncer e pediu uma biópsia”, diz.

Dia 22 de março deste ano o diagnóstico de Natália saiu: carcinoma. “Meu mundo desabou. Não tenho histórico familiar, não bebo, não fumo, havia amamentado e não era obesa. Minha alimentação era controlada, pois fazia exercícios físicos e era acompanhada por nutricionista. Ou seja, eu era a pessoa mais improvável”, destacou.

A paciente afirma que viu no convite da FAD uma oportunidade de divulgar a necessidade do autoexame e também de mostrar que existe beleza e alegria nas pacientes em tratamento. “Independentemente de estar careca, sem cílios, sem sobrancelhas e com toda a carga que o tratamento traz, ainda podemos nos encontrar. Encontrar a beleza que achamos que havia sido perdida. Saber que apesar dessa descons­trução que a doença causa, podemos ajudar outras mu­lheres e começar a nos reconstruir de uma forma melhor, sob uma ótica diferente”, destacou.

Natália, que ainda está em tratamento, deixa como dica para todas as mulheres que sentirem algo de errado, que não desistam de procurar o diagnóstico. “Não desista, achando que é normal, talvez seja tarde demais.”

QUANDO A BIÓPSIA DÁ CARCINOMA…

Maria Rozeneide Rodrigues Caldeira tem história semelhante à de Natália: os exames preventivos davam normais. Na corrida por diag­nosticar o que tinha, os exames de Rozineide continuavam dando que era um nódulo, provavelmente benigno, por causa da aparência. “Só quando cheguei no mastologista, que fez uma averiguação mais atenta, foi pedida a biópsia e acabou dando que era realmente um carcinoma. Então, em três meses o carcinoma estava lá e crescendo rápido. Daí a importância de correr rápido ao se perceber que tem algo de errado, principalmente quanto à saúde. Um mês depois da cirurgia comecei a fazer a quimioterapia, que terminei a semana passada. Agora, começo a fazer a radioterapia”, pontua.

Apesar do tratamento, Rozineide segue com a vida normalmente, inclusive, trabalhando. “É um desafio que precisamos ultrapassar. É lógico que ninguém espera receber essa notícia, mas existe uma força interior. Sou assim: se existe um problema, vamos passar por ele. Estou passando por esse processo de forma bem tranquila, confiante. É importante a gente se olhar, buscar se sentir bem consigo mesmo. É importante a gente se sentir bonita e o evento na FAD nos proporcionou isso.”

CADA DIA É UM DESAFIO A VENCER…

Ednilse de Souza Mariano descobriu o câncer de mama no começo de 2015, daí em diante o processo foi difícil… tratamento, mais exames e cirurgia. “Em meio a esse processo, no mesmo ano, em um impulso, fui fazer prova na FAD Uniesp para o curso de direito. Quando fui aprovada pensei: ‘será que vou conseguir’. Porém, continuei a curso e cada dia era um desafio a vencer. Os professores me auxiliaram e incentivaram nesta caminhada ao longo dos anos. Descobri que estar na faculdade me ajudou muito, pois não deixei ser derrubada por muitos sentimentos ruins. Estou em tratamento ainda, mas sei que logo vou chegar ao fim, assim com este curso de direito”, destaca.

FAMÍLIA É ESSENCIAL…

Adeniuza Marcia Feitosa de Arruda soube que estava com nódulo na mama esquerda em novembro de 2015. Como já existem casos de câncer na família – Adeniuza é quarto caso entre dez irmãs -, o processo entre a descoberta e cirurgia foi relativamente rápido.
“Minha sobrinha entrou em contato com o Hospital Pérola Byington e, em dezembro, já fiz a biópsia. Porém, depois disso o tumor, que era pequeno, se alastrou. Com isso, em janeiro fiz a cirurgia. Depois disso, fiz radioterapia. Agora, só faço o acompa­nhamento e tomo o hormônio (tamoxifeno)”, afirma.

Adeniuza destaca que as mu­lheres não devem sentir medo de fazer os exames preventivos. “Façam o exame, pois, caso dê positivo, começará a combater o mais rápido aquilo que pode nos abater. Enfrente o medo.”
A paciente destaca, ainda, que o apoio da família é essencial durante todo o processo. Nessa hora, sem Deus não dá, sem a família então… Vou copiar o que disse Heloísa Périssé em entrevista: ‘eu não tive amigos, tive anjos’. Minha família foi muito importante nesse período. A gente se fortalece muito com o apoio da família e dos amigos”, ressalta.

ENGAJAMENTO DOS ALUNOS…

Ewerton Visotto, diretor da FAD, afirma que aproximar a faculdade da comunidade é uma das premissas da administração, e a cada ano o envolvimento dos alunos e a sensibilização tem sido maior. “Já é o quarto ano que fazemos ações no Outubro Rosa, bem como em outras datas. No primeiro ano fizemos palestras, falando do empoderamento da mulher. Nos anos seguintes fizemos ações mais assertivas, com a realização de exames e arrecadação de cabelos. A proposta das ações é sensibilizar quanto à necessidade de prevenção, e a participação dessas mulheres que passam pelo tratamento do câncer, este ano, passou isso. Além disso, mostraram que apesar do processo ser difícil, é possível passar, sim, com otimismo e determinação”, destaca.

Segundo o diretor, a proposta deste ano, que trouxe maquiador e fotógrafo profissional para dar um dia de beleza às quatro escolhidas, foi emocionante. “Não tem preço ouvir das participantes que tiveram um dia de princesa.”

Visotto ressalta, também, o engajamento dos alunos nas ações propostas pela faculdade. “Temos realizado diversas ações ao longo do ano além do Outubro Rosa. Em todas, a cada ano, a participação dos alunos tem sido mais efetiva, bem como das famílias. Este ano tivemos um caso que chamou atenção. Um aluno nosso deixou o cabelo crescer para poder doar. Isso mostra que estamos o caminho certo”, pontua.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*