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Desindustrialização põe em risco expansão do setor de serviços no ABC

Desindustrialização põe em risco  expansão do setor de serviços no ABC
Participação da indústria no PIB do ABC caiu de 32,5% para 21,7% entre 2002 e 2016. Foto: Arquivo

Durante sete décadas, a indústria foi o setor mais dinâ­mico do ABC, sendo responsável por centenas de milhares de empregos e por boa parte da renda e da arrecadação dos municípios. Também estimulou o crescimento dos serviços, a tal pon­to que, quando a atividade fa­bril começou a perder fôlego – primeiro nos anos 1990 e, mais recentemente, a partir de 2011 – foi o chamado terciário que salvou o Produto Interno Bruto (PIB) da região de um colapso maior. O problema é que, se nada for feito para fortalecer o parque fabril dos sete muni­cípios, é a própria expansão dos serviços que estará ameaçada.

Dois estudos publicados pe­­­lo Observatório de Políticas públicas, Empreendedorismo e Conjun­tura da Universidade de São Caetano (Conjuscs) dão a dimensão da perda de dinamismo da indústria do ABC. O mais recente mostra que a participação do setor fabril no PIB regional caiu de 32,55% em 2002 para 21,67% em 2016, último dado publicado pelo Instituto Brasileiro de Ge­o­grafia e Estatística (IBGE).

O outro estudo – que emprega dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) – revela que, no mesmo período, a participação da indústria no total de empregos com carteira assinada da região caiu de 34,83% para 26,08%, enquanto a fatia dos serviços aumentou de 40,64% para 42,85% e a do comércio, de 14,81% para 19,26% na mesma comparação.

“O ABC fez uma série de esforços para diversificar e mo­der­nizar sua indústria, mas a fragilidade do parque fabril do ABC não foi revertida e, em um momento de grande reces­são como agora, essa fragilidade aparece de forma muito evidente, o que só reforça a ne­cessidade de retomar esforços para fortalecer a indústria. Sem ela, os serviços não terão a mesma vitalidade”, afirmou Roberto Vital, professor de His­tória Econômica da USCS.

O economista afirmou que o ABC ainda tem parque fabril bastante pujante, mas reco­nhe­ce que a região vive processo de “retração industrial”. Outro dado que reforça essa tese é que a participação dos sete municípios no PIB industrial do Estado de São Paulo caiu de 10,81% em 2002 para 6,58% em 2016.

O problema é que o setor de serviços depende em boa parte da indústria, uma vez que, com a restruturação produti­va ocorrida a partir dos anos 1990, atividades de segurança, alimentação, contabilidade e transporte, entre outras, aca­baram terceirizadas.

“Uma indústria fortalecida é necessária para assegurar em­pregos, renda, tributos e a pró­pria expansão dos serviços. Sem a indústria, o terciário terá mais dificuldade para crescer na região”, afirmou Vital.
O coordenador do observatório, Jefferson José da Conceição, lembrou que a indústria oferece os empregos mais qualificados e paga os maiores salários. Assim, uma crise no setor, com o fechamento de postos de trabalho, tende a reduzir a massa salarial da região, com impacto também sobre os serviços prestados às pessoas (educação, saúde, lazer).

“Não sou muito otimis­ta quanto à massa salarial porque, mesmo que haja retomada na indústria, a reforma trabalhista, da forma como foi implementada, vai gerar empregos com menor remuneração”, afirmou Conceição.

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