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Desemprego sobe a 13,7%, e formalidade no país cai ao menor patamar desde 2012

O número de trabalha­dores formais no país atingiu o menor nível desde 2012. A quantidade de empregados sem carteira assinada no setor privado, por sua vez, vem registrando crescimento, em um sinal de que os empresários têm optado pela abertu­ra de vagas informais.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (Pnad) Contínua, que mede o desemprego oficial do país. Divulgado ontem (28), o levantamento trouxe novo recorde na taxa de desemprego no país: 13,7% da População Economicamente Ativa (PEA).

Isso significa que 14,2 milhões de brasileiros estavam em busca de trabalho no primeiro trimestre, 3,1 milhões a mais do que no mesmo período do ano passado, quando a taxa estava em 10,9%.

A população ocupada continuou em queda, chegando a 88,9 milhões de pessoas – também a menor desde 2012. O número representa redução de 1,2%, ou 1,7 milhão de pessoas, com relação ao mesmo período do ano anterior.

Grande parte desse movimento se deu entre os trabalhadores com carteira assinada, contingente que perdeu 1,2 milhão de pessoas desde o primeiro trimestre de 2016.

Assim, o fechamento de vagas formais no setor privado foi responsável por 70% da queda na população ocupada no período, disse o coordenador de Trabalho e Rendimentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

“É um movimento muito desfavorável para o trabalhador, pois a carteira de trabalho é um instrumento de proteção social”, disse. “É também um passaporte para o crédito”, prosseguiu.

Precarização

No primeiro trimestre de 2017, 33,4 milhões de brasileiros tinham carteira assinada. Em 2012, quando a série histórica da pesquisa foi iniciada, eram 33,5 milhões – chegou a 36,4 milhões em 2014, maior patamar para o primeiro trimestre.

Por outro lado, o IBGE detectou aumento de 461 mil pessoas no número de empregados sem carteira no setor privado desde o primeiro trimestre de 2016.

Foi a primeira vez que o contingente de informais cresceu na comparação anual entre primeiros trimestres desde 2012. Em 2017, 10,2 milhões de pessoas estão nessa condição.

É um movimento que já vinha mostrando sinais no segundo semestre de 2016 e pode representar, segundo especialistas, o início de um processo de retomada nas contratações.

Isso ocorre porque, em um momento de incerteza econômica, os empresários preferem aumentar a mão de obra com trabalhadores sem carteira assinada, com vínculos mais fáceis de desfazer casos as projeções de retomada não se concretizem.

Rendimento

Na média, o rendimento real do trabalhador brasileiro ficou estável no primeiro trimestre, em R$ 2.110.

O montante é 2,5% su­perior ao registrado no mesmo período do ano passado (R$ 2.059) – alta puxada, principalmente, pelo aumento nos ganhos do trabalhador do setor privado sem carteira, que subiu 7,7%, e em menor medida pela elevação dos empregados no setor público, que avançou 4%.

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