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Desemprego médio no país sobe a 13,5%, maior taxa desde 2012

Desemprego médio no país sobe a 13,5%, maior taxa desde 2012
Segundo o IBGE, há 13,4 milhões de pessoas na fila por vaga. Foto: Alerrandre Barros/Agência IBGE Notícias

Meses depois do choque inicial provocado na economia pela pandemia de covid-19, o mercado de trabalho segue como grande desafio para a recupera­ção da economia em 2021. Houve ligeira melhora na reta final de 2020, em linha com a tradicional geração de vagas temporárias para as festas de fim de ano, mas insuficiente para absorve­r toda a população em busca de oportunidade. A ta­xa de desemprego média anual saltou de 11,9% em 2019 para o ápice de 13,5% em 2020.

Os maiores baques foram re­gistrados no comércio (1,702 mi­­lhão de vagas fechadas), em ser­viços domésticos (-1,198 mi­lhão) e alojamento e alimentação (-1,172 milhão). Os três setores bateram recordes de demissões. A indústria também demitiu em massa, alcançando quase 1 mi­lhão de vagas extintas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada desde 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desemprego encerrou o quarto trimestre aos 13,9%, pior resultado para o período desde o início da série histórica. Ante à mesma época do ano anterior, foram perdidos 8,4 milhões de postos de trabalho. O país tem quase 14 milhões de desempre­gados. Se considerados todos os subutilizados, que incluem de­sa­lentados e subempregados, está faltando trabalho para mais de 32 milhões de brasileiros.
Houve melhora, porém, an­te a taxa de desemprego de 14,1% registrada no trimestre encerrado em novembro.

“A taxa divulgada hoje (ontem) deve ser celebrada diante dos números anteriores, mas o cenário é complicado. Devemos ter recuperação extre­mamente lenta no primeiro semestre. No segundo ainda estaremos às vol­tas com a vacinação e o pre­sidente (Jair Bolsonaro) total­men­te focado na eleição de 2022”, projetou Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

A recuperação do mercado de trabalho demandará tempo e dependerá da evolução da pandemia do novo coronavírus, avalia Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Foram perdas muito profundas. Reverter esse quadro vai demandar não só tempo, mas o que vai acontecer ao longo desse tempo: como as atividades vão operar e a questão do controle sanitário.”

A crise afetou com mais intensidade o mercado de trabalho informal, justificou Cimar Azeredo, diretor adjunto de Pesquisas do IBGE. O pesquisador lembra que houve redução importante no total de vagas com carteira assinada no setor privado, mas os primeiros trabalhadores a ficar sem ocupação foram os que atuavam na informalidade, prejudicados pela pandemia e pelas medidas necessárias para conter a disseminação da covid-19. “Essa crise é uma tempestade, que acaba colocando a informalidade para fora (do mercado de trabalho), ao contrário das outras crises. Agora estamos vendo o retorno da informalidade com reabertura de praia, das ruas.

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