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Deputado ganhou para abafar CPI, diz delator

Skornicki foi apontado como operador de propinas na Petrobras. Foto: Folhapress

Novo delator da Lava Jato, o engenheiro e lobista ZwiSkornicki acusou o deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ) de ter recebido propina para evitar a sua convocação na CPI da Petrobras. Sérgio foi ministro da Secretaria de Relações Institucionais e da Pesca no primeiro mandato de Dilma.

O petista foi relator da última comissão instaurada no Congresso para investigar o esquema de corrupção na Petrobras. No relatório final, em outubro de 2015, propôs indiciar apenas um político, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Skornicki, que representava o estaleiro KepelFels no Brasil, não foi convocado para depor. Foi preso na Lava Jato quatro meses depois, apontado como operador de propinas na Petrobras.

Na decisão que homologou a delação, na quinta passada (6), Skornicki diz que “pagou parte da propina ajustada com João Vaccari Neto em nome do PT para o deputado Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira”. “Este mesmo parlamentar teria intercedido para a não convocação do colaborador à CPI da Petrobras”, informa a decisão, emitida pelo STF.

A Folha não conseguiu contatar a assessoria do deputado. A defesa de Vaccari nega que ele tenha pedido ou intermediado o pagamento de propinas ou caixa dois ao partido.

A homologação, feita semana passada, é o último passo para reconhecer o acordo. A informação está em ofício enviado pelo Ministério Público Federal ao juiz Sergio Moro, na quinta (13).

O lobista revelou na delação, entre outros temas, que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque abandonou R$ 39 milhões em propina numa conta da Suíça e que pagou US$ 4,5 milhões em caixa dois ao marqueteiro João Santana. O conteúdo integral da delação de ZwiSkornicki continua sob sigilo.

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