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Moro está prestando depoimento sobre Bolsonaro há mais de sete horas

Depoimento de Sérgio Moro na PF passa das seis horas
Apoiadores do presidente gritaram palavras de ordem contra Moro e a imprensa na frente da sede da PF. Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

Atualizado às 22h

Dura mais de sete horas o depoimento do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro na sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. O ex-ministro segue sendo ouvido pela delegada Christiane Corrêa Machado, chefe do setor de Inquéritos Especiais do Supremo Tribunal Federal (STF)nas apurações sobre interferência política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da corporação.

A oitiva é tomada por ordem do ministro Celso de Mello, decano do STF e relator do caso.

O ex-ministro da Justiça chegou às 13h desta sábado (2), pelos portões dos fundos da sede da Superintendência da Polícia Federal.

Antes da chegada de Moro, um grupo de apoiadores do presidente (menos de 100) ficou desde as 10h na frente da sede da PF com palavras de ordem contra Moro e a imprensa. Uma das coordenadoras, Paula Milani, se recusou a falar com a imprensa, assim como outros militantes. “Com tantos crimes maiores, porque se voltou contra Bolsonaro e sua família?”, questionavam do carro de som.

Militantes tomavam o microfone e chamavam Moro de “Judas”, “rato”, e chegaram a falar que “a biografia do Moro deveria ser jogada na privada”. “Porque não investigava quem tentou matar o presidente?”, gritavam.

Com Moro no interior da sede, cobraram sua presença. “Não teve dignidade de dar ‘oi’ para as duas únicas pessoas que estão aqui o defendendo, pois todas outras estão com o presidente”, disse uma manifestante.

Cinco apoiadores de Moro levavam faixas de apoio. O consultor Marcos Silva disse que acreditava em Moro e que não merecia esse tratamento. “Acreditamos na honestidade de Sergio Moro. Assim como fez na Lava-Jato tentou fazer no Ministério da Justiça, mas chegou perto dos filhos do presidente”, disse.

O servidor público Alvaro Faria também estava presente e vestia uma camiseta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi condenado pela Operação Lava Jato. O manifestante fez críticas ao ex-juiz federal. “Faço questão de estar aqui para ver Moro depondo. Ele vazou áudios ilegalmente para prejudicar (a ex-presidente) Dilma Rousseff e Lula, inflamando uma manifestação que iria acontecer depois. Merece responder por isso também”, comentou. Minutos depois, o apoiador de Lula precisou ser retirado do local.

Em outro momento, um cinegrafista da emissora de TV RIC, de Curitiba, teve seu equipamento atingido por uma manifestante, que foi contido pela Polícia Militar e levado para fora da área de imprensa. Após a tentativa de agressão, a PM precisou reforçar seu contingente em frente à sede da PF.

EDUARDO BOLSONARO

No dia em que Sergio Moro depõe contra o presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que o ex-ministro “certamente tem motivações políticas” ao denunciar supostos atos ilícitos no governo. Para Eduardo Bolsonaro, “ninguém faz isso de graça”.

“Fica bem claro que o Moro que combateu a criminalidade, o Moro que combateu a corrupção na Lava Jato merece os nossos aplausos. O Moro político deixou a desejar”, disse Eduardo em transmissão ao vivo nas redes sociais, no final da tarde deste sábado.

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