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Denzel Washington chefia bandoleiros em refilmagem de ‘Sete Homens e Um Destino’

Foto: DivulgaçãoO diretor Antoine Fuqua sabia o tamanho da encrenca em que estava se metendo quando disse “sim” para a refilmagem de “Sete Homens e Um Destino”, clássico de 1960 que ocidentaliza “Os Sete Samurais” (1954), de Akira Kurosawa. “A chance de fazer esse filme da maneira certa hoje em dia era muito boa para recusar”, diz o cineasta à reportagem. “Ainda mais com esse elenco.” Fuqua se refere à missão de gerar impacto ante ao “dream team” do original de 56 anos atrás, liderado por Yul Brynner, Steve McQueen e Charles Bronson.

Para compor os novos sete, reuniu dois dos seus atores preferidos, Denzel Washington e Ethan Hawke, dupla de “Dia de Treinamento” ( 2001). Também conseguiu Chris Pratt, egresso do sucesso mundial “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros”.

Para a seleção, o estúdio chamou uma reunião e apresentou uma lista de atores diferente para os papéis principais. “Falei para os executivos que, se queriam um evento, deveriam ter atores que surpreendessem o público.” Foi assim que Fuqua lançou o nome de Denzel Washington para o papel do líder dos bandoleiros que precisam proteger uma cidadezinha das mãos de um magnata da mineração (Peter Sarsgaard).

“Ele nunca havia feito faroeste. Queria ver Denzel montado num cavalo e atirando nos bandidos.” Porém, quase que esse tiro saiu pela culatra. Denzel Washington não escondeu o mau humor nos quatro meses de filmagens no calor de 43ºC de Baton Rouge, Louisiana. “Até eu não tinha humor para conversar com ninguém”, brinca Fuqua. Além do calor infernal, a cidade cenográfica construída especialmente para o longa sofreu com tornados, tempestades de raios, mosquitos e ataques de estrelismo. “Foi tudo difícil, cada pessoa é uma personalidade diferente”, diz o cineasta.

A cidade foi construída sobre um pasto de vacas com um pequeno lago, que foi expandido para o filme. “Um dia, o vento levou a igreja. Depois, lá se foi o hotel. Precisei parar de filmar num dia lindo porque havia uma tempestade de raios. Assistindo ao longa pronto na tela, não consigo deixar de me perguntar como fiz tudo isso.”

Passados os obstáculos, “Sete Homens e Um Destino” ganhou a prestigiada noite de abertura do Festival de Cinema de Toronto, uma das principais plataformas de lançamentos para o Oscar. Apesar de o roteiro ter sido escrito por Nic Pizzolatto, criador de “True Detective”, e lapidado por John Lee Hancock (“Um Sonho Possível”, 2009) e Richard Wenk (“O Protetor”, 2014), o filme foi recebido com frieza pelos críticos, que esperavam mais discussões sobre diversidade no longa, que tem um homem negro como protagonista contra uma grande corporação liderada por um branco. “Quando li o roteiro, não pensei nessas coisas”, afirma Fuqua. “Gosto de histórias sobre pessoas protegendo aqueles que não têm condições de lutar. Acho que é uma importante mensagem hoje, em um mundo com terrorismo. Precisamos de um grupo de diversas raças e nacionalidades juntas para combater o terror. Acho que o filme é mais relevante hoje em dia que na década de 1960.”

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