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Delegações latino-americanas saem da sala durante discurso de Michel Temer na ONU

Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) como presidente, Michel Temer defendeu ontem (20) a legitimidade do processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff , mas não indicou uma guinada de política externa. A maior parte do discurso foi dedicada a apresentar a visão do novo governo sobre temas internacionais e a preocupação com o “déficit de ordem” no mundo, que impede a solução de problemas graves, da crise dos refugiados e “recrudescimento do terrorismo” ao aumento do protecionismo.

Já perto do fim do discurso de 20 minutos, Temer voltou-se à política doméstica para falar do processo político que o conduziu à Presidência.”Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional. Não há democracia sem Estado de direito “”sem normas que se apliquem a todos, inclusive aos mais poderosos”, disse Temer, que classificou o momento vivido pelo Brasil de uma “depuração política”.

A estreia de Temer na Assembleia Geral da ONU não arrancou aplausos do plenário, que só vieram quando ele concluiu sua fala.Em suas últimas aparições no órgão, Dilma foi aplaudida em alguns momentos de seu pronunciamento.

Líderes de seis países da América Latina não assistiram ao pronunciamento em sinal de protesto: Equador, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Costa Rica e Venezuela.Sem perceber o boicote, o presidente reconheceu “diferentes inclinações políticas” dos governos da região.

Questionado sobre o protesto dos líderes latino-americanos, o chanceler José Serra minimizou seu impacto, afirmando que “é próximo de zero”.Assessores do presidente Temer afirmaram que não havia intenção de demarcar a visão em temas internacionais do novo governo para contrastá-la com a de sua antecessora na presidência, já que muitos dos princípios da diplomacia brasileira são do Estado e não do governo.

Segundo assessores, por iniciativa e interesse do presidente, a intenção principal foi mostrar como o Brasil vê o mundo e como “se encaixa nele”, o que marca diferença em relação aos discursos de Dilma na ONU, em que ela ressaltava avanços de seu governo.

A ideia de Temer, disse um diplomata, foi passar uma mensagem de sobriedade, mas sem deixar de lado o poder de iniciativa e inovação da diplomacia com o objetivo de ajudar a solucionar os problemas mais prementes das relações internacionais. Temer decidiu não ir à cúpula de líderes sobre refugiados convocada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que também aconteceu ontem. Ao voltar ao hotel em que está hospedado em Nova York, Temer disse que jamais afirmou que iria à cúpula sobre refugiados.

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