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Delação de Joesley provoca ‘apagão’ em discursos sobre reforma da Previdência

Menções à reforma nos discursos caíram consideravelmente. Foto: Antonio Augusto/Agência CâmaraA divulgação da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista com o presidente Michel Temer, em 17 de maio, retirou a reforma da Previdência do debate na Câmara dos Deputados. Naquela semana, o tema havia sido mencionado 102 vezes no plenário da Casa, mas as menções caíram para 49 após a delação de Joesley. Em junho, despencaram para 20 vezes por semana. Na semana passada, só quatro discursos falaram da proposta.

O levantamento – que tem como base os 22.746 discursos dos últimos 12 meses – mostra mudança da pauta política, comentou o economista Pedro Nery, consultor legislativo do Senado.

Na terceira semana de março, a reforma foi citada uma vez para cada quatro discursos. A crise política reduziu a proporção a uma vez a cada 20 pronunciamentos.

Nery levantou as menções à “reforma da Previdência”, sem especificar se eram positivas ou negativas. Entre os 33 parlamentares que falaram do tema ao menos 15 vezes nos últimos 12 meses, só dois são da base governista; entre os dez primeiros, apenas um.

A proposta de reforma da Previdência foi encaminhada pelo governo em dezembro do ano passado, com a justificativa de que o envelhecimento da população tornará insustentável o sistema atual.

No sistema atual, trabalhadores privados se aposentam precocemente e parte dos servidores tem benefícios não limitados pelo teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Como modifica a Constituição, a reforma precisa ser aprovada em plenário em dois turnos, por ao menos 308 dos 513 deputados.

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