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Del Nero é banido pela Fifa, mas mantém poder na CBF

Del Nero é banido pela Fifa, mas mantém poder na CBF
Del Nero criticou punição e vai recorre da decisão na Corte Arbitral do Esporte. Foto: Arquivo

Ao contrário do que aconteceu com a Fifa e com a Conmebol, entidade que comanda o futebol na América do Sul, o maior escândalo de corrupção da his­tória do futebol não aba­lou as estrutu­ras vigen­tes na Confederação Brasi­lei­ra de Futebol (CBF).

Banido ontem (27) por to­da a vida pela Fifa de atividades relacionadas ao futebol, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, conseguiu manter seu grupo político no poder da entidade.

Neste mês, quando já estava banido provisoriamente pela entidade que comanda o futebol mundial, o dirigente conseguiu manter influência no cenário nacional ao eleger o paulista Rogério Caboclo para comandar a CBF até 2023.

Caboclo é diretor executivo de gestão da CBF e homem de confiança de Del Nero desde os tempos em que o dirigente comandava a Federação Paulista de Futebol (FPF).

O presidente eleito não se cansa de elogiar seus criador, mesmo com todas as acusações contra o dirigente, tanto na Fifa quanto no Justiça dos Estados Unidos.

O cenário é diferente do encontrado em outras grandes entidades do futebol mundial que tiveram dirigentes afastados por corrupção.

Na Fifa, o suíço Gianni Infantino colocou ponto final na era Joseph Blatter, que estava no poder há quase duas décadas na entidade.

Ex-secretário geral da Uefa, entidade que controla o futebol na Europa, Infantino tenta dar mais transparência à Fifa, mas ainda é visto com desconfiança por causa de sua proximidade a Michel Platini.

Em 2015, o ex-craque francês e Blatter foram banidos do futebol por oito anos. Platini havia recebido R$ 8 milhões do ex-presidente da Fifa em uma operação suspeita realizada em 2011 (ano de uma das reeleições de Blatter) por um trabalho supostamente realizado entre 1999 e 2000.

Na Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez foi eleito em janeiro de 2016 para comandar a entidade, que concentrou boa parte das acusações de corrupção no futebol feitas pela Justiça dos EUA.

A entidade sul-americana foi comandada por 26 anos por Nicolás Leoz, que cumpre prisão domiciliar desde que o escândalo de corrupção foi revelado, em maio de 2015.

Até o início da década, Leoz, o brasileiro Ricardo Teixeira e o argentino Julio Grondona eram os representantes da América do Sul no Comitê Executivo da Fifa, órgão máximo da entidade e renomeado como Conselho da Fifa.

Antes de assumir a confederação sul-americana, Domínguez denunciou Leoz por ter realizado depósitos suspeitos em bancos paraguaios.

Na Argentina, o grupo político de Grondona também perdeu poder. Ele morreu logo após a Copa de 2014 dando início à disputa política vencida por Claudio Tapia. Ao ser eleito, ele comandava um clube da terceira divisão.

Na CBF, mesmo fustigado pelas acusações de corrupção e afastado provisoriamente pela Fifa, Del Nero conseguiu manobrar politicamente as federações estaduais e eleger o dirigente de seu interesse à presidência da entidade.

Só Corinthians, Flamengo e Atlético-PR deixaram de votar em Rogério Caboclo – que, com o apoio maciço das federações estaduais e graças à chancela de Del Nero sua candidatura, inviabilizou a oposição.

A posse de Caboclo acontecerá somente em abril do próximo ano. Enquanto isso, a entidade será comandada pelo paraense Antonio Carlos Nunes, o coronel Nunes.

Ao ser denunciado pelo FBI em dezembro de 2015, o cartola paulista escolheu Nunes, então presidente da federação do Pará, para ser seu vice-presidente mais velho e assumir o poder na entidade nacional.

“Enquanto a maior entidade do futebol mundial o afasta de todas as atividades, Del Nero segue por aqui manipulando a eleição da CBF. Infelizmente, cortou-se a árvore, mas ficaram as sementes”, lamentou o senador Romário (Podemos-RJ).

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