Editorias, Mundo, Notícias

Decisão do Mercosul de chefia colegiada é ilegal, diz Venezuela

A Venezuela condenou ontem (14) a decisão dos membros do Mercosul que marginaliza o país dentro do bloco e pode levar à sua suspensão. “Tentar destruir o Mercosul via artifícios ilegais é um reflexo da política intolerante e do desespero dos burocratas”, disse a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.

Os quatro sócios fundadores do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – criaram u presidência colegiada do bloco até o dia 1º de dezembro. É esse também o prazo para que Caracas cumpra os compromissos que assumiu há quatro anos, ao entrar no bloco. Se não o fizer, a Venezuela será suspensa.

A oposição venezuelana comemorou a decisão do Mercosul como uma derrota para o governo do presidente Nicolás Maduro. “A comunidade internacional hoje está ciente sobre a realidade (da Venezuela), onde se violam os direitos humanos e não há democracia”, afirmou ontem o deputado opositor Luis Florido, presidente da Comissão de Política Externa da Assembleia Nacional venezuelana.

O Itamaraty trabalha com a certeza de que a Venezuela, mergulhada em uma crise de proporções inéditas, não terá condições de incorporar à sua legislação interna todas as regras impostas aos membros do bloco. Se essa expectativa se comprovar, a marginalização de Caracas será completa.

A decisão não foi unânime: Argentina, Brasil e Paraguai votaram a favor de uma presidência colegiada, mas o Uruguai preferiu abster-se. Acontece que, no minueto diplomático, o consenso se dá também quando há uma abstenção, em vez de um voto contrário.

Maduro confirmou na terça que seu governo iniciou contatos com a oposição para estabelecer diálogo sobre a crise do país, assegurando que tem o respaldo do Vaticano para negociar. Descartou, porém, o referendo revogatório exigido por seus adversários. “Mais cedo que tarde, o povo venezuelano e as leis venezuelanas terminarão de enterrar em paz a fraude que cometeram”, disse Maduro.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*