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Das cinzas, Museu Nacional se reergue aos poucos

Das cinzas, Museu Nacional se reergue aos poucos
Cerâmicas indígenas foram resgatadas, além de fósseis de animais pré-históricos e algumas peças de Pompeia e Herculano. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Consumido por um incêndio há um ano, o Museu Nacional passa por um processo de restauro e deve ter algumas salas reabertas ao público em 2022, com uma exposição sobre o bicentenário da Independência. E deve estar completamente pronto em 2025. A previsão é do diretor da instituição, Alexander Kellner. Ainda este ano, deve começar a restauração da fachada e do telhado.

Em setembro do ano que vem, a expectativa é de que comece a recuperação do interior do palácio. O museu tem cerca de R$ 70 milhões já disponíveis para as obras.

Em 2 de setembro de 2018, um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado no térreo do Palácio São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, deflagrou um incêndio que consumiu por seis horas grande parte do acervo. Instituição museológica e de pesquisa mais antiga do País, o local tinha acabado de celebrar 200 anos em junho.

As chamas consumiram total ou parcialmente pelo menos 80% do acervo, um dos mais importantes da América Latina nas áreas de ciências naturais e antropológicas. Algumas coleções foram completamente perdidas, como a que reunia 12 milhões de insetos. Preciosos sarcófagos e múmias da coleção egípcia também foram destruídos, bem como parte significativa do material etnográfico de indígenas brasileiros.

O icônico trono do rei africano de Daomé, presente recebido por d. João VI em 1811, não resistiu. O fogo destruiu também partes históricas do palácio, como a sala do trono, que tinha o teto adornado com deusas da mitologia grega. “A perda foi muito alta, maior do que esperávamos”, disse Kellner, ao fazer um balanço do prejuízo. “Está todo mundo muito chateado, perdemos muita coisa ”

Recursos

Os R$ 16 milhões liberados em caráter de emergência pelo governo federal após o incêndio já foram aplicados: aproximadamente R$ 1 milhão foi para a fachada; R$ 10 milhões seguiram para o reforço da estrutura interna do prédio e da cobertura; os demais R$ 5 milhões estão destinados à Unesco (fundo de patrimônio da Organização das Nações Unidas), para a elaboração do projeto executivo do restauro.

A doação mais substancial recebida pelo museu veio da Alemanha: 230 mil euros (cerca de R$ 1 milhão). Outros R$ 350 mil vieram por meio de doações ao SOS Amigos do Museu. As doações foram aplicadas no garimpo e no resgate das peças dos escombros, segundo Kellner.

O governo federal liberou também um terreno anexo ao museu – uma antiga reivindicação. No terreno de 44 mil metros quadrados será construído um prédio para abrigar laboratórios e atividades educacionais, além da parte administrativa. “O Museu Nacional é muito mais do que a área de exposição”, disse a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires.

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