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Crise argentina derruba exportações do ABC ao menor nível desde 2003

A crise na Argentina, principal parceiro comercial do Bra­sil, derrubou as exportações de empresas do ABC ao patamar mais baixo em 16 anos.

De janeiro a agosto, os embarques de produtos da região somaram US$ 2,53 bilhões, mon­tante 31,7% inferior ao en­­viado no mesmo período do ano passado (US$ 3,7 bilhões), segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia e compilados pelo Diário Regional.

Trata-se do menor valor desde o US$ 1,85 bi­lhão embarcado pelos sete municípios nos mesmos meses de 2003.

A explicação para o resultado está na forte redução das vendas para o país vizinho, em cri­se desde o ano passado. De janeiro a agosto, as exportações da região com destino à Argentina despencaram 60%, para US$ 531 milhões, ante o mesmo perído de 2018.

Com isso, a participação dos “hermanos” nas vendas de produtos do ABC ao exterior caiu para 21,0% em 2019, contra 30,2% no ano passado. Trata-se do patamar mais bai­xo desde 2005 (20,3%).

As empresas têm buscado outros mercados com o objetivo de reduzir a “dependência” da Argentina. Prova disso é que, na mesma comparação, foram registrados crescimentos importantes nos embarques para Co­lômbia (121%), Estados Unidos (6,3%), Alemanha (15,3%), China (48,7%) e Índia (48,7%).

No mês passado, por exemplo, a Mercedes-Benz anunciou a entrega de 130 ônibus urbanos para o sistema de transporte de Santo Domingo, capital da República Dominicana.

Também em agosto, a Volks­wagem iniciou a exportação do sedã Virtus para o México. Com isso, o modelo passa a estar presente em dez mercados.

O setor automotivo tem sentido com mais intensidade a queda nas encomendas. De ja­neiro a agosto, as exportações de veículos, caminhões e chassis de ônibus de em­presas do ABC para a Argentina recua­ram 70,7%, para US$ 218,8 mi­lhões, contra o mesmo período de 2018. Na mes­ma comparação, os embarques de autopeças caíram 27,2%, para US$ 83,2 milhões.

No mês passado, os governos brasileiro e argentino assinaram novo acordo automotivo que prevê aumento gradual da cota de veículos e autopeças que o Brasil poderá exportar para o país vizinho até 2029, quando o comércio entre os dois países passará a ser livre de impostos.

Especialistas em comércio ex­terior, no entanto, avaliaram que a medida terá pouco ou nenhum efeito imediato, uma vez que a demanda do país vi­zinho está em forte queda.

O professor de Economia Wal­­ter Franco, da unidade de São Paulo do Instituto Bra­si­leiro de Mercado de Capitais (Ibmec SP), entende que a crise na Argentina é uma oportunidade para a indústria brasileira, especialmente a automotiva, di­versificar suas exportações.

“Há demanda na América Latina para carros com a tec­nologia embarcada atualmen­te no produto brasileiro. É um problema que será resolvido com a celebração de novos acordos comerciais com ou­tros países. Enquanto isso não acontece, o Brasil sentirá os efeitos da crise argentina por muito tempo, uma vez que eles só vão se recuperar após forte ajuste fiscal”, disse Franco.

“A melhora nas expor­ta­ções passa pela redução da dependência da Argentina e pela diversificação de mercados internacionais”, prosseguiu.

IMPORTAÇÕES

Ainda segundo o Ministério da Economia, o ABC importou US$ 2,68 bilhões entre janei­ro e agosto deste ano, montan­te 20,5% inferior ao adquirido no mesmo período do ano pas­sa­do (US$ 3,37 bilhões).

Com is­so, o saldo da ba­lança comercial dos sete municípios em 2019 é deficitário em US$ 151,3 mi­lhões. No mesmo período do ano passado, o saldo era superavitário em US$ 331 milhões.

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