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Crise argentina afeta exportações de veículos e derruba produção em setembro

Crise argentina afeta exportações de veículos e derruba produção em setembroA redução das exportações para a Argentina, aliada ao me­nor número de dias úteis, derrubou a produção de veículos em setembro e levou o setor a revisar para baixo as projeções para o encerramento do ano.

No mês passado, deixaram as linhas de montagem 223,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, volume 23,5% inferior ao apurado em agosto e 6,3% abaixo do re­gistrado em setembro de 2017, segundo dados divulgados, ontem (4), pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que re­presenta as montadoras.

Devido à crise argentina, as exportações de veículos caí­ram 29,7% em setembro ante agosto, para 37 mil unidades, e 34,5% contra o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o recuo é de 8%, para 524,3 mil veículos.

“Várias empresas têm ajus­tado suas produções para a no­va realidade de exportações – que, infelizmente, será bastante inferior ao projetado no início do ano”, afirmou o presidente da Anfavea, Antonio Megale, ao destacar que o menor número de dias úteis (19 em setembro, contra 23 em agosto) também contribuiu para o resultado negativo.

Entre as montadoras que têm promovido ajustes na produção figura a Volks­wagen, que vai colocar 1.800 tra­ba­lhadores da fábrica Anchieta, em São Bernardo, em férias coletivas a partir da próxima segunda-feira (8), por período que pode chegar a 30 dias. Em agosto, a empresa já havia dei­xado mil funcionários em casa pelo mesmo período.

A Anfavea prevê queda de 8,6% nas exportações para o encerramento do ano. A projeção anterior, divulgada em julho, era de estabilidade.
Segundo Megale, as expor­tações para a Argentina re­presentavam cerca de 75% do total no setor automotivo. Porém, em setembro, essa par­ticipação caiu para 50%.

“Esperamos que as medidas que o governo argentino está tomando permitam ao país equacionar suas dificuldades e voltar a crescer, o que é muito importante para nós no Brasil”, disse Megale.

O exe­cutivo destacou que as montadoras têm buscado alternativas para compensar a crise no país vizinho, como o Chile e a Colômbia. O México também está no radar, depois da conclusão do acordo comer­cial com Estados Unidos e Canadá que substitui o Nafta.

DESCOMPASSO

No acumulado do ano, a pro­­­dução de veículos soma 2,195 milhões de unidades, alta de 10,5% em comparação ao fabricado entre janeiro e setembro do ano passado.

Porém, como resultado da desa­celeração nas exportações em se­tembro, a projeção da enti­da­de foi revisada de au­men­­to de 11,9% para 11,1%.
“Infelizmente, não conse­guimos convergir o crescimen­to do mercado interno com o crescimento de nossos principais mercados de exportação”, lamentou Megale.

O executivo afirmou que a alta do dólar não trouxe benefícios às exportações. “A pior coisa no câmbio é a volatilidade. Trouxe alguma preocupação na importação de peças e não teve grande impacto po­­sitivo nas exportações.”

 

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