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Pandemia de covid-19 reduz renda e aumenta desemprego no ABC

Covid-19 reduz renda e aumenta desemprego no ABC
Quase 97% dos entrevistados entendem que a pandemia vai prejudicar consideravelmente ou intensamente a atividade econômica em 2020 e 2021. Foto: Pixabay.com

A segunda edição de pesquisa realizada pela Universidade Metodista de São Paulo para mensurar o impacto da pandemia de coronavírus sobre a economia do ABC revela maior deterioração da situação financeira das famílias da região à medida que avança a quarentena adotada para conter a doença.

Ao menos 54% dos 407 entrevistados na segunda quinzena de abril informaram queda na renda familiar e 12% registraram baixa de mais de 50%. No primeiro levantamento, realizado na primeira quinzena de abril, as taxas eram de 46% e 10%, respectivamente.

Segundo a pesquisa, 12,7% dos trabalhadores tiveram reduzidos salários e jornada, conforme iniciativa autorizada pelo governo federal na Medida Provisória 936. Outros 6% apontaram que a empresa concedeu férias ou impôs utilização do saldo de banco de horas.

“Entre os fatores para a queda de renda estão a elevação do desemprego, a redução da atividade econômica de autônomos e empreendedores, o aumento do porcentual de assalariados que passaram a se deparar com atrasos no pagamento do salário e a redução da jornada de trabalho acompanhada de corte de salários”, avaliou a coordenadora do curso de Ciências Econômicas da Metodista, professora Silvia Okabayashi.

Embora a região não possua indicador para a medição da desocupação local desde fevereiro de 2017, quando foi extinta a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) ABC, os dados levantados pela Metodista apontam elevação do desemprego entre trabalhadores após a crise provocada pela covid-19.

A pesquisa revela que o desemprego subiu no ABC para 17% da População Economicamente Ativa (PEA) após a pandemia. Somente em abril, 4,8% perderam trabalho com carteira assinada, somando-se aos 12,4% que já estavam desocupados. Esse cenário acrescentou 4,5 pontos percentuais de desemprego à PEA.

Com o impacto negativo sobre a renda, houve ampliação das contas em atraso. Uma em cada quatro famílias (24,7%) dos sete municípios se viu obrigada a atrasar faturas no último mês. Essa proporção se soma às 11,1% de famílias que já tinham contas em atraso.

O estudo destaca que piorou a percepção dos entrevistados sobre os impactos econômicos da covid-19. Quase 97% dos entrevistados entendem que a pandemia vai prejudicar consideravelmente ou intensamente a atividade econômica em 2020 e 2021. Na edição anterior da pesquisa, a fatia era de 95,4%.

“Este (o impacto econômico) é sem dúvida o ponto de maior polêmica em torno das ações de distanciamento social. A discussão reside na eficiência da quarentena como método para reduzir o ritmo de contágio e, consequentemente, de pessoas infectadas, de pacientes que demandem serviços médicos, internações e cuidados especiais de terapia intensiva”, diz a pesquisa.

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