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Covid-19 derruba produção de veículos em março ao menor patamar em 16 anos

Covid-19 derruba produção de veículos em março ao menor patamar em 16 anosAfetadas pelas paralisações nas fábricas decorrentes do novo coronavírus, as montadoras registraram, em março, a menor produção para o mês em 16 anos. Dei­xaram as linhas de montagem quase 190 mil unidades, em soma que considera os segmentos de carros, comerciais le­ves, caminhões e ônibus, segun­do dados divulgados, on­tem (6), pela Associação Na­cional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O volume é 7% inferior ao apurado em fevereiro e 21,1% menor que o registrado no mes­mo mês do ano passado. O resultado é o menor desde o terceiro mês de 2004, quando deixaram as linhas de montagem 185,5 mil unidades.

No acumulado do ano até março, as montadoras produ­zi­u 585,9 mil veículos, recuo de 16% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
Segundo a Anfavea, 63 fábricas estão paradas, o que afe­ta 123 mil trabalhadores de 40 cidades e dez Estados.

Embora as montadoras es­tejam preparadas para reativar a produção, não há expectativa de que isso ocorra nos próximos dias. O governador João Doria (PSDB) anunciou, ontem, a extensão da qua­rentena no Estado de São Paulo para até 22 de abril.

Mercedes-Benz e Toyota, por exemplo, anunciaram na semana passada o adiamento do retorno ao trabalho de seus funcionários – a primeira para 2 de maio e a segunda para 22 de abril. A General Motors, por sua vez, mantém os trabalhadores da planta de São Caetano em férias coletivas e fechou acordo pa­ra suspender os contratos de trabalho (layoff) por até qua­tro meses a partir do dia 13.

“Havia mencionado, em mar­ço, o risco de interrom­per a produção por falta de compo­nentes vindos da China e pro­blemas de logística, mas a pa­rada ocorreu devido à decisão de proteger os tra­balhadores”, comentou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

VENDAS

As vendas de veículos novos caíram 21,8% em março ante igual mês do ano passado, para 163,6 mil unidades. Em relação a fevereiro, houve queda de 18,6%. No primeiro trimestre, o mercado atingiu 558,1 mil licenciamentos, recuo de 8% na comparação com o mesmo período de 2019.

A Anfavea captou queda de 86,5% na média diária de vendas. Na primeira semana de março, antes das paralisações ocorridas por causa da pandemia, a média diária de vendas alcançou 10,7 mil unidades. Na segunda semana, passou para 11 mil. Porém, na terceira, já com as primeiras paralisações na economia, caiu para 9,4 mil. Na quarta e na quinta, despencou para 1,2 mil e 1,4 mil, respectivamente.

“Tivemos dois momentos bem distintos em março. Até o começo da segunda quinzena, as vendas estavam em alta, com crescimento de 9% no acumulado do ano. Porém, o avanço da pandemia no país provocou a interrupção das atividades nas fábricas e nas concessionárias, fazendo com que fechássemos o mês com retração de 8% no acumulado do ano”, explicou Moraes.

Segundo o presidente da Anfavea, o resultado de abril será ainda mais preocupante. “O momento é de priorizar a saúde da população, e todas as associadas estão dando sua contribuição no combate ao coronavírus, seja reparando res­piradores, seja produzindo e doando máscaras, ou mesmo cedendo suas frotas para as mais diversas finalidades. Porém, também é hora de conscientização de todas as esferas do governo, bancos e sociedade para criar mecanis­mos que permitam à cadeia automotiva atravessar esse período com a preservação das empresas e dos empregos”, alertou.

Na China, o mercado de veículos recuou 80% em feve­reiro ante igual mês de 2019. Em março, contra o mesmo mês do ano passado, houve retração de 85% na Itália, 72% na França e 69% na Espanha. “O que estamos enfrentando está na mesma dimensão que ou­tros países passaram recentemente”, comentou Moraes.

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