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Cortes no sistema S podem afetar mão de obra da indústria, avalia secretária de Desenvolvimento Econômico do estado

Cortar recursos destinados às instituições do Sistema S pode inviabilizar a qualificação de profissionais que o Brasil precisa para atender a demanda do mercado. A avaliação é da secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen da Silva.

Segundo ela, por conta de o país passar por uma reestruturação econômica, a intenção do governo de reduzir verbas de entidades como SESI e SENAI, por exemplo, pode agravar o desemprego.

“A população está precisando de muita qualificação. Eu acho que nós não temos nenhuma chance de qualificar menos pessoas do que estávamos qualificando historicamente. Pelo contrário, nós precisamos qualificar mais pessoas com cursos melhores”, ressaltou a secretária.

Os cortes, consequentemente, também podem afetar o setor industrial, um dos mais importantes pilares da economia paulista. Responsável por 21% do PIB local, a indústria emprega mais de 2,8 milhões de trabalhadores, o que representa 21,8% do emprego formal do estado. O salário médio pago aos trabalhadores no estado é de R$ 3.295,20. Os dados são do IBGE.

Para se ter ideia, além do tradicional polo de indústrias automobilísticas, o estado concentra cerca de 60% do valor da transformação industrial do setor farmoquímico de todo o país, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Paulo.
Comércio

A intenção de cortar verbas de instituições que prestam qualificação e assistência para diversas categorias profissionais também preocupa representantes do setor de comércio. Para o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, os cortes propostos pelo governo federal podem gerar um cenário de desemprego e perdas para o setor, que ainda não se recuperou totalmente da crise econômica.
“Fazer os cortes anunciados de maneira unilateral e sendo tão incisivo assim é um prejuízo muito grande para toda a população brasileira. O corte proposto não se sustenta pela argumentação do Ministério (da Economia) no tocante à destinação dos valores. Ou seja, o governo não vai economizar com a desoneração da folha do Sistema S porque não faz qualquer empresário de lucro real presumido dar emprego. O que dá emprego é demanda”, avalia Sampaio.

Alto nível

Para o economista e especialista em educação Cláudio de Moura e Castro, as escolas SESI/SENAI, administradas pela indústria, estão no mesmo patamar de instituições de países avançados.

“Por quase 15 anos, trabalhei na OIT [Organização Internacional do Trabalho, no Banco Mundial e no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento], visitei dezenas de escolas profissionais nos países em desenvolvimento. Não vi nenhuma escola de país em desenvolvimento que chegasse próximo das escolas do SENAI. Pelo contrário, essas escolas estão praticamente no mesmo nível das escolas que a gente admira nos países avançados”, explica Castro.

Atualmente, 112 municípios paulistas são atendidos pelo SESI, com cerca de 400 mil matrículas por ano. Já o SENAI oferece serviços a 171 cidades do estado e realiza mais de um milhão de novas matrículas anualmente.

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