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Corinthians se reúne com a Caixa para renegociar dívida por estádio

Os advogados do Corinthians terão nesta terça-feira (1º) o primeiro encontro com representantes do departamento jurídico da Caixa Econômica Federal no processo de negociação de novo acordo relacionado à dívida do estádio de Itaquera. Segundo o banco, a dívida atual é de R$ 536 milhões. O clube deixou de pagar parcelas do financiamento e, por isso, o nome da arena foi incluído no cadastro de inadimplentes da Serasa.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o da Caixa, Pedro Guimarães, não participarão do encontro desta terça, quando os documentos serão colocados na mesa para análise dos dois lados. O principal entrave é o período em que a arena recebeu a Copa América, entre junho e julho deste ano, e ficou sem arrecadar com bilheteria.

O dinheiro da bilheteria forma a maior parte do valor que paga o financiamento (no jogo de domingo contra o Vasco, por exemplo, o clube levantou R$ 1,8 milhão de renda). Como não arrecadou durante a competição organizada pela Conmebol, o Corinthians não pagou as parcelas desses meses para a Caixa.

Segundo Andrés, o clube havia combinado com a diretoria do banco que, nesses meses, não haveria pagamento da dívida. A Caixa nega a tratativa e informa no processo que corre na Justiça que o Corinthians lhe deve desde março. As parcelas giram em torno de R$ 6 milhões.

A intenção de Corinthians e Caixa é buscar um acordo para o refinanciamento da dívida. O banco quer receber o que emprestou e o clube garante querer pagar nas condições preestabelecidas verbalmente com a diretoria anterior da Caixa e que teria validade até 2028: parcelas de R$ 6 milhões durante oito meses e de R$ 2,5 milhões em quatro meses de menor atividade no calendário da temporada. Por enquanto, o clube informa que deve R$ 470 milhões e o banco diz que tem a receber R$ 536 milhões. A diferença é, portanto, de R$ 66 milhões.

O Movimento Corinthians Grande, principal grupo de oposição a Andrés Sanchez, divulgou nas redes sociais comunicado há duas semanas em que questiona as justificativas do mandatário do clube sobre o pagamento da arena. “Seria muito melhor para todos que o presidente encerrasse por conta própria seu papel nesse assunto”, escreveu, pedindo o afastamento de Andrés das negociações.

No último dia 27, a Justiça acatou o pedido da Caixa Econômica Federal para incluir o nome da Arena Itaquera S/A, que administra o estádio, no cadastro da Serasa, sob o argumento que não recebe desde março.

DIVERGÊNCIA

As únicas duas parcelas pagas este ano, de janeiro e fevereiro, foram de R$ 6.442.357,31 e R$ 6.565.312,96, respectivamente, num total de R$ 13.007.670,30. O valor em aberto dos meses subsequentes é de R$ 33.789.494,81. No início do mês, Andrés informou que apenas duas parcelas estavam atrasadas. No entanto, admitiu que, se a Caixa não estivesse considerando o período do acordo verbal, o atraso seria desde março.

A Caixa emprestou inicialmente R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 170 milhões, sendo R$ 80 milhões desde fevereiro de 2018.

O imbróglio ocorre no momento em que o Corinthians encaminhou acerto também com a Odebrecht. Além dos R$ 400 milhões de dívida com a Caixa, o clube havia se comprometido a pagar R$ 420 milhões à construtora, que também ajudou a erguer o estádio. Esse valor viria por meio dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento emitidos pela Prefeitura de São Paulo.

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