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Copom acelera ritmo de alta e eleva Selic a 5,25% ao ano

Copom acelera ritmo de alta e eleva Selic a 5,25% ao ano
Quarto aumento consecutivo, desta vez de 1 ponto porcentual, sobe a taxa básica de juros ao maior patamar desde outubro de 2019

Com a persistência da inflação em patamar alto e a volta do risco fiscal, o Comitê de Po­lítica Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira (4) a taxa básica de juros (Se­lic) em 1,00 ponto porcentual, de 4,25% para 5,25% ao ano.

Este foi o quarto aumento consecutivo dos juros e repre­senta aceleração do aperto mo­netário. Nas três decisões anteriores, o BC havia subido a taxa em 0,75 ponto porcentual.

Com a decisão desta quarta, a Selic está no maior patamar desde outubro de 2019, antes da pandemia de covid-19. Com a crise sanitária, o BC fez o primeiro movimento no sentido de acelerar os cortes da taxa, que se manteve no mínimo histórico de 2% de agosto de 2020 a março deste ano. No segundo movimento, iniciado em março, o BC reco­me­çou a elevar a Selic, em uma ten­ta­tiva de controlar a inflação.

O aumento do juro básico da economia resulta em taxas bancárias mais elevadas, embora haja defasagem (de seis a nove meses) entre a decisão do BC e o encarecimento do cré­dito. A elevação da Selic também influencia negativamen­te o consumo da população e os investimentos produtivos.

Os aumentos sucessivos da Selic são uma tentativa do BC de segurar a inflação no país. A escalada dos preços de alimentos, combustíveis e ener­gia elétrica levou os economistas do mercado financeiro a projetar inflação de 6,79% para 2021, conforme o Relatório Focus, compilação das projeções de mercado para os principais indicadores da economia.

ACELERADOR

Ao aumentar o ritmo de ciclo de alta da Selic, o Copom também avisou que pretende manter o pé no acelerador. O colegiado elevou a taxa básica de juros em 1,00 ponto porcentual e já sinalizou novo aumento de mesma magnitu­de na próxima reunião.

“Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”, destacou o Copom.

Apesar da sinalização dada de manter o novo ritmo de aumento da taxa em 1,00 ponto porcentual, após três altas de 0,75 ponto, o Copom enfatizou que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

O colegiado reafirmou que as próximas deci­sões depen­dem da evolução da atividade eco­nô­mica, do ba­­lan­ço de riscos e das projeções de inflação para o ho­rizonte da política monetária.

Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 2,52% ao ano. O país tem o segundo juro real mais alto do mundo, atrás só da Turquia (+6,40%), consideran­do as 40 econo­mias mais relevantes.

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