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Controladoria aponta ‘mensalinho’ de R$ 500 mil para Átila e 22 vereadores

Controladoria aponta 'mensalinho' de R$ 500 mil para Átila e 22 vereadores
Investigação aponta que a quase totalidade dos vereadores de Mauá recebia propina. Foto: Arquivo

O Ministério da Transparência, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal acreditam que o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), e 22 dos 23 vereadores do município recebiam R$ 500 mil de “mensalinho” pago por nove empresas, de diferentes ramos, que prestavam serviços à administração.

Nesta quinta-feira (13), Atila foi preso novamente no âmbito da operação Trato Feito, deflagrada para investigar esquema de desvio de recursos públicos que seria chefiado pelo socialista. Também foi preso novamente o ex-secretário de governo José Eduardo Gaspar.

A operação é um desdobramento de outra ação da PF, batizada de Prato Feito, que ocorreu em maio deste ano para apurar suposto desvio de verba federal que deveria ser usada na compra de merenda escolar, uniformes e material escolar em cidades de três Estados e do Distrito Federal.

Naquela ocasião, Jacomussi e Gaspar foram presos em flagrante por corrupção. Na casa do prefeito, a PF apreendeu R$ 85 mil em dinheiro. Com Gaspar, foram encontrados R$ 588 mil e mais € 3 mil. Ambos foram soltos por meio de habeas corpus concedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

A nova operação conta com a participação de cerca de 220 policiais federais e de seis servidores da CGU para cumprimento das ordens de prisão preventiva de Atila e Gaspar; de 54 mandados de busca e apreensão em locais como a prefeitura, a sede da empresa de Saneamento Básico de Mauá (Sama) e a Câmara, bem como as residências das autoridades municipais envolvidas.

A investigação indica que as nove empresas pagavam propina aos investigados no valor estimado de R$ 500 mil mensais. Evidências coletadas na apreensão da primeira fase indicam recebimentos indevidos de porcentuais de contratos (10% ou 20%) com empresas que fornecem bens e serviços à prefeitura; pagamentos de propinas à quase totalidade dos vereadores e fraude na formalização de contrato para fornecimento de uniforme.

Outra irregularidade identificada pela Polícia Federal é da existência de troca de favores na contratação de cargos comissionados na prefeitura e empregos nas empresas do esquema criminoso.

Conforme denúncia feita à PF, após a deflagração da Operação Prato Feito, os delitos persistiram na prefeitura. Em julho de 2018, durante processo de licitação de aluguel de veículos, o representante de uma empresa foi coagido a retirar a proposta apresentada, de forma que a licitação foi direcionada para evitar competição.

Os vereadores serão ouvidos a partir das 14h na seda da Polícia Federal, na Lapa, zona Oeste da Capital, para onde Atila foi levado.

OUTRO LADO

A defesa de Atila Jacomussi, representada pelo advogado Daniel Leon Bialski, afirmou que “este novo e arbitrário decreto de prisão nada mais faz do que requentar fatos que já eram conhecidos e tinham motivado o decreto anterior que foi revogado pela Suprema Corte”.

“Como o prefeito não descumpriu qualquer das medidas impostas, a defesa vai apresentar Reclamação perante o Supremo Tribunal Federal porque essa decisão afronta e desafia a Autoridade da medida antes concedida”, assinala Bialski.

A Câmara de Mauá informou, em nota, que, “em relação à operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje (quinta-feira), todos os gabinetes foram vistoriados (23 gabinetes de vereadores, mais o gabinete da presidência)”.

“Servidores da Câmara prestaram esclarecimentos aos agentes da polícia, colaborando prontamente com a vistoria realizada, que ocorreu de forma tranquila e organizada. Não houve desentendimento e ninguém foi detido”, prossegue a nota. “A Câmara de Mauá mantém-se, como sempre esteve, à disposição da Justiça, bem como das demais instâncias de poder, para prestar esclarecimentos que se fizerem necessários.”

 

1 comentário

  1. Estou com vergonha de ser mauaense

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