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Consumidores devem pagar R$ 13,1 bi por uso de energia de térmicas neste ano

Consumidores devem pagar R$ 13,1 bi por uso de energia de térmicas neste ano
Apesar da situação dos reservatórios, Albuquerque afastou a possibilidade de apagão. Foto: Tomaz Silva/ABr

O uso de usinas termelétricas por conta da escassez nos reservatórios das principais hidrelétricas do país deve custar R$ 13,1 bilhões até novembro deste ano aos consumidores. Devido à crise hídrica, o governo autorizou o uso de todas essas usinas, até mesmo as mais caras, para garantir o abasteci­mento de energia no país. A despesa será embutida nas tarifas de energia no próximo ano.

A estimativa atual representa aumento de 45% no valor previsto em junho pelo Ministério de Minas e Energia (MME), de R$ 8,99 bilhões.

O montante resultaria em aumento adicional de 5% no custo da energia, a ser repassado para as tarifas no próximo ano. A pasta não informou nova estimativa de impacto do custo das térmicas nas tarifas, que deve ser ainda mais alto. A revisão foi divulgada pelo G1 e confirmada pelo Grupo Estado.

O custo da geração de ener­gia também é repassado aos consumidores por meio das ban­deiras tarifárias. Com o agra­vamento da crise hídrica e a falta de perspectiva de chuvas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reajustou em 52% a taxa embutida atualmente nas contas de luz. A chamada bandeira vermelha patamar 2 passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Esse não é, porém, o único reajuste programado para os próximos meses. A agência discute uma segunda correção dos valores, que prevê que a bandeira vermelha patamar 2 pode ser elevada para R$ 11,50 a cada 100 kWh consumidos. A avaliação é de que o reajuste aprovado não será suficiente para cobrir os custos das térmicas. Há também a preocupação de evitar um déficit na conta bandeiras, já que isso também refletirá em pressão nas tarifas em 2022.

Na semana passada, o mi­nis­tro de Minas e Energia, Ben­to Albuquerque, classificou o aumento da bandeira tarifária como “consequência da crise hídrica” e afirmou que as térmicas dão mais segurança ao fornecimento de energia. “Essas bandeiras tarifárias significam que o custo da energia ficou mais caro e essa energia tem de ser paga. O consumidor vai ter de arcar com o custo”, disse em entrevista ao programa “Agenda Econômica”, da TV Senado.

Segundo o MME, o aumento dos gastos com o uso de tér­micas é resultado de medidas adotadas para reter mais água nos reservatórios. “O custo adicional de despacho termelétrico esperado até novembro aumen­tou em razão das medidas de flexibilização adotadas, que têm permiti­do o maior armazena­mento de água nos reservató­rios e, por consequência, maior uso de termelétricas para atendimento à demanda do sistema.”

Os cálculos baseiam-se em estudos apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e aprovados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Na semana passada, o colegiado recomendou novas medidas para reter água. Na reunião, o ONS informou que se­gue o cenário de atenção quanto às condições de atendimento.

Apesar da situação, o mi­nistro afasta a possibilidade de racionamento e apagão. No mês passado, o governo editou Medida Provisória para criar a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética, que tem o poder de determinar, por exemplo, mudanças nas vazões de reservatórios e hidrelétricas.

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