Economia, Notícias

Construtoras ignoram pandemia, e venda de imóveis novos cresce 6% no ABC

Construtoras ignoram pandemia, e venda de imóveis novos cresce 6% no ABC
Redução dos juros do financiamento habitacional e novos hábitos de moradia explicam reação do mercado

A recuperação em “V”, expressão usada para descrever uma retomada da atividade eco­nô­mi­ca tão rápida quanto a que­da, pode se tornar rea­lidade no mercado imobiliá­rio do ABC, que experimenta ines­perada re­a­ção nas vendas do tombo provocado pela pan­de­mia do novo coronavírus.

De janeiro a setembro, o setor comercia­lizou 2.328 imó­veis residenciais novos na re­gião, total 6,1% superior ao apurado no mesmo período do ano passado (2.195), segun­do pesquisa reali­zada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) e di­vul­ga­da pe­­­la Associação de Cons­­tru­to­ras, Imobiliárias e Ad­mi­nis­tra­­do­ras do ABC (ACIGABC).

Os dados se referem a cinco dos sete municípios da re­gião – segundo a ACIGABC, não há venda de imóveis verticais novos em Ribeirão Pi­res e Rio Grande da Serra.

Segundo o presidente da entidade, Milton Bigucci Jú­nior, o setor projetava que, após o fechamento dos estan­des no auge da cri­se sanitária, o mercado só retomaria o patamar de vendas pré-pandemia em 2021, mas a reação veio mais cedo do que se esperava.

“As vendas aceleraram no terceiro trimestre e, com isso, o mercado recuperou o patamar (de vendas) pré-pandemia já no meio do ano”, disse Bigucci Jú­nior, durante en­tre­vista coletiva online concedida na ter­ça-feira (3).

O presidente da ACIGABC atribuiu a reação à redução dos juros do cré­dito imobiliário proporcio­nada pe­la queda da taxa Selic, o que tam­bém atraiu investidores. “A locação residencial está ren­den­do mais do que aplicações ban­cárias. Além disso, os imó­veis estão se va­lorizando, por­que a deman­da está alta”, prosseguiu.

Bigucci Jú­nior destacou ain­da que a pandemia despertou novos hábitos e necessidades de moradia. “As pessoas estão ficando mais tempo em casa, o que tem motivado a troca do imóvel por outro maior ou a substituição do aluguel pelo imóvel próprio”, explicou.

LANÇAMENTOS

No sentido contrário, o total de lançamentos caiu 47,4%, para 1.377 unidades, no acumulado de janeiro a setembro deste ano ante o mesmo período de 2019. “As empresas ficaram assustadas com a pandemia e tiraram o pé. Porém, voltaram a lançar no terceiro trimestre e devem aumentar o ritmo no quarto”, projetou.

Como resultado da recuperação nas vendas e da queda no número de lançamentos, o estoque de imóveis novos no ABC caiu 47,6%, para 1.140 unidades, das quais 20% prontas, 29% em construção e 51% na planta.

O presidente da ACIGABC projetou que a recuperação do mercado imobiliário deve conti­nuar no próximo ano. De 2014 a 2017, as vendas do setor no ABC caíram cerca de 70%.

Bigucci Jú­­nior entende que eventual aumento dos juros em 2021 – esperado em função da aceleração da inflação e da deterioração da situação fiscal do governo federal – não deve atrapalhar a retomada do setor. “Nossa expectativa é de que os juros subam, mas não a ponto de prejudicar as vendas”, disse.

O pre­si­dente da ACIGABC também des­tacou que os preços dos imóveis devem entrar em trajetória ascendente, de­pois de permanecer pratica­mente estáveis nos últimos cinco anos. O motivo, segundo Bigucci Jú­­nior, é o aumento dos custos do setor. O Índice Nacional de Custo da Cons­trução (INCC) acumula alta de 4,57% em 2020. Além da escalada nos preços, há escassez de materiais. “Não há aço, cobre e cimento para pronta-entrega”, revelou.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*