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Conselho de Ética do COB absolve Goto e critica Diego Hypolito

Conselho de Ética do COB absolve Goto e critica Diego Hypolito
COB não viu “nada a desabonar” na conduta de Goto. Foto: Ricardo Bufolin/CBG

O Conselho de Ética do Comitê Olímpico do Brasil (COB) anunciou ontem (31) a absolvição do técnico de ginástica artística Marcos Goto e da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) no caso envolvendo as acusações de abuso sexual supostamente cometidas pelo técnico Fernando de Carvalho Lopes. Esse foi o primeiro julgamento da história do conse­lho, criado em março deste ano.

Marcos Goto estava sendo investigado porque um dos atletas que, de forma anônima, deu depoimento à TV Globo acusando Fernando de abuso sexual disse que, depois que se transferiu para o clube Mesc, o treinador passou a fazer chacota dos relatos. Porém, diante do Conselho de Ética, ne­nhuma testemunha confirmou a versão. Por se tratar de fonte anônima, o conselho não sabe se o atleta em questão negou a versão ao depor ou está entre “aquelas tantas que se recusaram a depor”.

Entre os que não aceitaram falar ao Conselho de Ética está o medalhista olímpico Diego Hypolito, citado no relatório como o responsável pela “escolha individual e pessoal” de levar Fernando de Carva­lho Lopes à seleção brasileira, apontando-o como seu técnico pessoal. Prata na Rio-2016, Diego foi duramen­te atacado no relatório.

“Não obstante tenha dado entrevista em veículos de im­prensa amplos e conhecidos, deliberadamente recusou-se a ser ouvido pelo Conselho de Ética, injustificadamente dei­xando de colaborar com o procedimento ético. O que é, no todo, deplorável e condenável, até porque a inclusão de Fernando Carvalho na equipe olímpica deu-se por exclusiva escolha do atleta, conforme depoimentos gravados”, atacou o conselho.

O documento, de 22 páginas, também ataca a gestão anterior do COB, apontando que, durante o ciclo olímpico passado, o conselho viveu uma “cegueira deliberada”, em que o objetivo era “tão somente mais medalhas, não tendo exercido nenhum filtro sobre colaboradores desse projeto final”, em alusão ao fato de Fernando ter chegado à seleção brasileira como treinador de Hypolito.

Em abril, o Fantástico publicou longa matéria na qual ginastas treinados por Fernando de Carvalho Lopes na infância ou juventude relataram casos de abuso sexual. Fernando sempre trabalhou em São Bernardo, com formação de atletas. No ciclo olímpico passado, porém, a equipe dele passou a ter patrocínio da Caixa Econômica Federal e contratou dois ginastas de seleção, já consagrados: Diego Hypolito e Caio Souza.

Como Diego foi convocado para a Olimpíada, seu treinador da época também o foi. Já na reta final de preparação, dois garotos da equipe de base de São Bernardo relataram terem sido abusados e o caso chegou ao Ministério Público.

Quanto a Goto, o Conselho entendeu que não há provas de qualquer conduta ética indevida. De acordo com o relatório “nada há a desabonar a conduta de Marcos Goto”.

Com relação à CBG, a absolvição veio única e exclusivamente pelo fato de o Conselho só ter jurisdição sobre fatos ocorridos após a sua criação. Ou seja: 23 de março de 2018. Os fatos ocorreram dois anos antes.

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