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Confusão marca diplomação de eleitos por São Paulo

Confusão marca diplomação dos eleitos por São Paulo
João Doria, Mara Gabrilli e Rodrigo Garcia são diplomados. Foto: Divulgação/Alesp

A radicalização que marcou as eleições deste ano deu o tom da cerimônia de diplomação dos políticos eleitos por São Paulo. A entrega dos diplomas, nesta terça-feira (18), foi interrompida por confusão provocada pela entrada não autorizada, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), do militante da Bancada Ativista, Jesus dos Santos, do PSOL.

Houve briga entre Santos, um dos escolhidos para o mandato coletivo da Bancada Ativista, e o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL) – a Polícia Militar interveio para conter ambos. A paralisação do evento ocorreu logo após o registro de vaias, xingamentos e manifestações entre simpatizantes do PT e apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Durante a diplomação da deputada Mônica Seixas, eleita como representante do mandato coletivo do PSOL, Santos subiu no palco com a intenção de participar do ato, mas foi impedido, dando início à confusão. A intenção do grupo era que todos os nove representantes da bancada pudessem fazer fotos com o diploma em mãos. Segundo Mônica, o cerimonial estava avisado da decisão, que não tinha respaldo da presidência do TRE-SP.

“O combinado foi que uma receberia o diploma e os outros ficariam na plateia”, disse o presidente do tribunal, desembargador Carlos Eduardo Cauduro Padin. “Quem entrou no palco desobedecendo às ordens age com violência.”

Os nomes dos demais seriam lidos pela mestre de cerimônias a pedido da própria Mônica, titular do mandato, de acordo com o TRE-SP, mas não houve tempo. Logo que subiu ao palco, Santos foi impedido por seguranças e depois por Frota.

“Eu fui agarrado por uma série de seguranças, que começaram a me empurrar, a torcer meu braço. Inclusive, levei um soco nas costas e recebi xingamentos racistas”, disse o militante, que é produtor cultural. “Depois desse primeiro tumulto, eu me desloquei para conversar com o presidente do TRE e, nesse momento, o Frota veio atrás de mim, ficou me insultando, dizendo que aquele não era o meu lugar e dando joelhadas por trás”, afirmou Santos.

O deputado eleito disse que o produtor cultural “deu sorte” de não ter sido jogado por ele para fora do palco. “Ele é um bandido. Isso aqui é uma festa dos que foram eleitos e não para bandidos, para militante de esquerda usar da nossa festa para promover os movimentos deles”, afirmou Frota.

POLARIZAÇÃO

Após o tumulto, a cerimônia prosseguiu em clima quente. Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL) foi diplomado mais uma vez deputado federal, aos gritos de “mito”, em referência a seu pai. Parte dos deputados petistas optaram por fazer o gesto do “L” com as mãos, ecoando o coro do “Lula Livre”.

Também foram ouvidos na plateia menções ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado pelo Ministério Público Federal como um dos principais torturadores da ditadura militar.

Realizada na Sala São Paulo, a cerimônia diplomou, além dos 70 deputados federais por São Paulo e 94 estaduais, o governador eleito João Doria (PSDB), o vice, Rodrigo Garcia (DEM), e os dois senadores eleitos pelo Estado: Mara Gabrilli (PSDB) e Major Olímpio (PSL), assim como seus suplentes. Doria não quis falar com a imprensa.

 

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