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Concessão de estádio ao CAD promete queda de braço em Diadema

Para Celio Boi, é precipitado discutir o assunto;; Pretinho: “esse projeto agora é uma birra”. Foto: Eberly LaurindoO primeiro projeto do Executivo enviado para a Câmara de Diadema neste ano promete ser o causador de verdadeira queda de braço entre oposição e governo. A renovação do convênio com o Clube Atlético de Diadema (CAD) – que entre outros termos prevê que o clube continue utilizando para treinamentos o Estádio Taperinha, na Vila Nogueira, e implemente projetos sociais com crianças e adolescentes do município – e que só vence em dezembro, foi enviado com nove meses de antecedência. Ocorre que o outro clube da cidade, o Esporte Clube Água Santa, afirma que há um compromisso da administração para que o local seja utilizado como centro de treinamento.

“Não sei porque a conversa dele está fazendo curva. Porque ele tinha um compromisso com a gente, do CAD ir embora. Um compromisso firmado há cinco anos. Porém, não tem problema, se não quer continuar, nós também não contamos com ele. Vamos até o fim”, declarou o vereador Revelino Teixeira, o Pretinho do Água Santa (DEM), presidente em exercício do clube. “Tenho de defender a minha camisa. Esse projeto agora é uma birra dele. Está testando, ver a união do outro lado (da oposição, formada por 12 parlamentares). Nosso grupo está focado e estamos unidos e o projeto não vai passar”, completou.

O parlamentar ainda acusou o prefeito de ter procurado o Água Santa apenas quando precisou ser eleito. “Depois virou as costas para nós e nós ajudamos a eleger ele. Deveria ter um diálogo e cumprir o compromisso que tem há cinco anos conosco”, pontuou. “Ninguém nunca viu ele num jogo do CAD. Com a camisa do CAD. Tinha vergonha. O CAD hoje não tem parceria nenhuma. Tem de abrir para a população qual é o projeto com o clube. Nós temos um convênio com as escolas de futebol, e onde está dando certo não deve ser mexido”, finalizou.

Projeto polêmico

A oposição, no entanto, não está tão unida quanto cita Pretinho. Historicamente, o PT sempre foi próximo do CAD, mas a bancada petista evitou se posicionar antes da medida seguir para votação. “É um projeto polêmico do ponto de vista do que realmente está por trás dele, quais são os objetivos e quais são os interesses. Vamos nos ater única e exclusivamente a essa questão. Se é um projeto que traz algum tipo de interesse para a cidade, para a população de Diadema, ou se está defendendo interesse de A, B ou C. Ninguém do PT foi eleito para defender A ou B”, declarou o vereador Josemundo Dário Queiroz, o Josa (PT).

“O projeto tem problemas.Inclusive, queremos discutir quando for pautado para votação. Ainda está tramitando. Porque é muito fácil a gente apontar o que está errado e ter uma correção”, pontuou. Josa admite que possa haver um interesse do governo em desestabilizar a oposição, mas entende que essa seja uma questão menor. “A bancada tem uma posição muito clara em relação a vários temas. Todos os lados estão se conversando e é preciso esclarecer muita coisa. Acho prematuro falar sobre algo que sequer desceu para discussão”, concluiu.

O líder de governo, Celio Lucas de Almeida, o Célio Boi (PSB), também afirmou que qualquer posicionamento agora é prematuro e que prefere comentar o conteúdo do projeto quando estiver pronto para ser votado. O parlamentar não soube informar porque a renovação do convênio foi enviada com nove meses de antecedência.

Pelo lado do CAD, há a confiança de que o projeto será aprovado. “Somos o primeiro time da cidade. Estamos trazendo uma grande empresa que será nosso patrocinador (Supermercado Sonda). Vamos ajudar a gerar 400 empregos na cidade e retomar as escolas de esportes que tiveram uma grande queda no número de alunos”, defendeu o presidente do CAD, Jackson Carvalho. “Não acredito que teremos algum tipo de dificuldade. A rivalidade entre os clubes tem que ser dentro de campo e não fora das quatro linhas. Vamos ver se realmente os vereadores estão pensando no bem da cidade”, destacou.

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