Saúde e Beleza

Como lidar com um defeito na cartilagem

Uma lesão osteocondral é um defeito na cartilagem de uma articulação e no osso subjacente. Cartilagem é um tecido conjuntivo que cobre os ossos entre as articulações. Quando há degeneração, separação ou ruptura da cartilagem, pode ser referida como uma lesão osteocondral. O osso direito embaixo da cartilagem pode também ser afetado. A articulação do joelho, do tornozelo e do cotovelo são locais comuns onde esse defeito ocorre principalmente em atletas.

Sintomas e riscos

Pacientes que apresentam lesões osteocondrais geralmente apresentam dor na articulação envolvida. A dor geralmente piora com a atividade principalmente de impacto. Inchaço da articulação também pode ser um sintoma. Instabilidade, bloqueio ou sensação de travamento, podem ser outros sintomas. Uma história de trauma ou cirurgia na articulação afetada pode ser uma pista que leva ao diagnóstico de lesão osteocondral. Esse problema ocorre com mais frequência na população de atletas mais jovens.

Avaliação na medicina esportiva

Um médico especializado em esporte e com título de especialista, irá rever os sintomas e a história do problema. Será feita uma avaliação da articulação afetada buscando por áreas sensíveis e movendo a articulação para ver se algum movimento causa dor. Normalmente, um raio-x será solicitado primeiramente apara avaliar as condições ósseas. No entanto, um raios-x nem sempre pode identificar problemas na cartilagem, uma vez que o tecido conjuntivo não aparece na radiografia. Se o raio-X não mostrar nenhum problema, um novo exame complementar pode ser solicitado para investigação. Na maioria dos casos, uma ressonância magnética (método preferencial) ou tomografia computadorizada (TC) será feita, mostrando tecidos moles como cartilagem a qual queremos investigar, com mais detalhes.

Tratamento
As opções de tratamento variam dependendo do paciente. Idade, objetivos atléticos, localização e tamanho do defeito serão todos analisados para decidir qual tratamento é o melhor. As opções de tratamento incluem: terapia conservadora não operatória (incluindo, mas não se limitando a modificação de atividade, injeções ou infiltrações, órteses ou palmilhas), várias cirurgias como “microfratura” do osso afetado que traz novas células para a área na esperança de construir uma nova cartilagem, ou transplante de cartilagem / osso de um doador ou de uma parte do corpo diferente.

Prevenção de lesões

Não se sabe ao certo o que impedirá uma lesão osteocondral de acontecer, é difícil prevenir lesões traumáticas agudas que às vezes levam a uma lesão osteocondral principalmente em esportes de contato. No entanto, manter os músculos fortes e flexíveis ajuda a apoiar e suportar as articulações. Praticar exercícios de força e flexibilidade podem não evitar uma lesão osteocondral mas pelo menos ajuda no reflexo e com certeza evita que o trauma fosse maior. Manter a saúde dos ossos, obtendo níveis adequados de cálcio e vitamina D em sua dieta também pode ser benéficos, além obviamente alimentos saudáveis. Seguir as orientações adequadas de treinamento também ajudará para que o corpo não fique sobrecarregado com muito estresse ou sobrecarga nas articulações.

Retorno ao esporte

Voltar a praticar um esporte após a lesão condral depende de como a lesão foi gerenciada e tratada. Se o tratamento conservador foi a escolha, o atleta terá que esperar para voltar a jogar até a resolução da dor, que pode ser de 4 a 12 semanas. Se o tratamento incluiu uma operação, o cronograma de retorno ao esporte provavelmente será semelhante mas vai precisar respeitar o tempo de cicatrização que o especialista pediu , sem carga e para aguardar a resolução do quadro. Um programa de reabilitação também pode ser necessário antes de retornar ao esporte e depois seguir no gesto esportivo, nunca esquecendo de fortalecer.

Referências:
1. Schachter AK, Chen AL, Reddy PD, Tejwani NC. Osteochondral lesions of the talus. J Am Acad Orthop Surg 2005;13:152.
2. Laffenêtre O. Osteochondral lesions of the talus: Current concept. Orthop Traumatol Surg Res 2010; 96:554.
3. Beltran J, Shankman S. MR imaging of bone lesions of the ankle and foot. Magn Reson Imaging Clin N Am 2001; 9:553.

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. www.anapaulasimoes.com.br

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