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Comércio e serviços puxam a geração de 451 vagas formais no ABC em agosto

O mercado de trabalho do ABC deu nova sinalização de que a economia da região começa a enxergar a crise pelo retrovisor. Os sete municípios criaram 451 vagas com carteira assinada em agosto, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem (21) pelo Mi­nistério do Trabalho.
Trata-se do segundo resultado positivo consecutivo e o melhor para o mês desde as 780 vagas formais criadas em agosto de 2013.

Mesmo assim, o saldo foi insuficiente para devolver o ABC ao “azul” em 2017. No acumulado de janeiro a agosto, a região contabiliza a extinção de 945 empregos.

Porém, o resultado é consideravelmente melhor do que o observado no mesmo período do ano passado (-20.572), quando o ritmo de demissões superava a casa de 86 vagas fechadas por dia.

O comércio deu a principal contribuição para o aumento da ocupação em agosto, com a criação de 551 vagas. O resultado pode ser explicado pelo boom recente de inaugurações de atacarejos em Santo André, São Bernardo e Diadema.

O setor de serviços deu a segunda maior colaboração, com 532 empregos gerados.

A indústria, por sua vez, acusou o fechamento de 460 vagas. O setor automotivo (montadoras e autopeças) deu a principal contribuição, com a extinção de 244 postos de trabalho, mas também houve cortes nos ramos alimentício (-193) e farmacêutico e de perfumaria (-115), entre outros.

Na contramão dos resultados gerais da indústria, a Mazurky, de São Bernardo, abriu cerca de dez vagas em agosto. A empresa fabrica embalagens e caixas de papelão ondulado – setor que funciona como termômetro da atividade econômica – e, no mês passado, comemorou alta de 9% nas vendas ante o mesmo mês do ano passado.

“Aos poucos o Brasil está retomando a atividade econômica. Seria arriscado demais dizer que o país voltou a crescer porque sempre há oscilações nesta fase, mas afirmo que já é um bom sinal de mudança”, comentou Eduardo Mazurkyewistz, sócio-diretor da Mazurky. “Nossa expectativa segue alta, mas seguimos com cautela devido à instabilidade política que voltou a assolar o país.”

No corte por municípios, Mauá registrou o melhor resultado, com a geração de 595 vagas. O saldo refletiu os mais de 450 empregos criados no segmento de transporte rodoviário de passageiros.

Brasil

O país criou 35,5 mil postos de trabalho com carteira assinada em agosto, segundo dados do Caged. Foi o quinto mês seguido com resultado positivo. O governo comemorou o fato de que, pela primeira vez no ano, todas as regiões tiveram saldo positivo em agosto.

O Ministério do Trabalho evita dar previsão para o encerramento deste ano. Para o coordenador-geral de estatísticas da pasta, Mário Magalhães, não dá para dizer que 2017 terá saldo positivo. “Quem tiver uma vela po­de acender, quem souber Ave Maria pode rezar”, disse.

No acumulado de janeiro a agosto, o saldo é positivo, com a criação de 163,4 mil vagas. Em igual período do ano passado, o resultado era negativo em 651,2 mil.

Na avaliação do professor da Universidade de São Paulo (USP) Hélio Zylberztajn, o resultado de agosto manteve a tendência dos últimos meses. “Ainda não é crescimento, é estabilidade no nível de emprego formal”, disse.

Zylberztajn prevê que o resultado ao final do ano será negativo. Para o especialista, o saldo deve subir até novembro, mas o alto número de demissões que costuma ocorrer em dezembro deve derrubar o saldo para o negativo.

A boa notícia, de acordo com Zylberztajn, é que o saldo será melhor que o de 2016, quando superou 1 milhão de vagas fechadas.

Apesar do resultado positivo até agosto, o saldo dos últimos 12 meses é negativo em 544,6 mil vagas.
O economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) Bruno Ottoni também prevê resultado no vermelho, com saldo negativo menor que 500 mil vagas fechadas. “A recuperação do mercado formal de trabalho está sendo lenta e gradual, assim como a da atividade.”

Dezembro registra, em quase todos os anos, forte resultado negativo. O principal motivo é o fechamento de vagas abertas no segundo semestre para alimentar o aumento da atividade no final do ano.

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