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Com ‘trégua política’, dólar fecha abaixo dos R$ 5 pela 1ª vez desde 26 de março

Com ‘trégua política’, dólar fecha abaixo de R$ 5 pela 1ª vez desde 26 de março
Dólar teve a maior baixa semanal desde os cinco dias encerrados em 31 de outubro de 2008

O dólar à vista fechou nesta sexta-feira (5) em R$ 4,9909, na primeira vez que a moeda norte-ame­ricana terminou abaixo de R$ 5 desde 26 de março. Na semana, a divisa acumulou queda de 6,52%, a maior baixa semanal em quase 12 anos, desde os cinco dias encerrados em 31 de outubro de 2008 (-7,35%).

Nesta sexta, o peso determinante para o enfraquecimento do dólar no Brasil e perante paí­ses emergentes em geral foi o cenário externo, após a surpresa com o relatório de emprego dos Estados Unidos, mostrando criação de 2,5 milhões de vagas em maio, enquanto Wall Street previa fechamento de mais de 8 milhões de postos. A calmaria no cenário político doméstico também ajudou.

Na mínima do dia, o dólar caiu a R$ 4,93 no início da tarde, movimento provocado pela rápida desmontagem de posições contra o real e também relatos de entrada de capital externo.

A surpresa com o relatório de emprego dos EUA estimulou busca mundial por ativos de risco e as bolsas subiram na Europa e em Nova York. Aqui, o Ibovespa chegou a superar na máxima os 97 mil pontos. Logo após a divulgação do documento, o presidente Donald Trump afirmou que a economia americana vai se recuperar “como um foguete”, contribuindo para ele­var ainda mais o otimismo dos investidores com a retomada das atividades pós-pandemia. O Ibovespa fechou em alta de 0,86%, aos 94.637,06 pontos.

“O relatório de emprego de maio foi uma surpresa positiva dramática”, disse Jeremy Sch­wartz, diretor do Credit Suis­se, alertando que o número, apesar da euforia causada nos mercados, pode não repre­sentar tendência. “O relatório não muda drasticamente nossas pers­pectivas para o mercado de trabalho americano”, escre­veu Sch­wartz, em relatório comentando os números.

O presidente da gestora AZ Quest, Walter Maciel, avaliou que o exterior positivo combinado com a trégua política in­terna ajudou a melhorar os preços dos ativos brasileiros. No cenário externo, a perspectiva é de que a China volte a crescer e continue comprando minério de ferro e alimentos do Brasil, o mesmo paras as economias dos EUA e da Europa, todos parceiros comerciais importantes do Brasil, afirmou Maciel.

Ao mesmo tempo, com a piora da atividade doméstica, as importações brasileiras devem cair, mas o saldo comercial será ampliado com a manutenção das vendas externas. “Vai começar a sobrar dólar no sistema. O saldo comercial crescente faz com que o dólar tenda a cair”, disse Maciel ontem, em live da Genial Investimentos.

No cenário doméstico, o presidente da AZ Quest obser­vou que a tensão política diminuiu após o presidente Jair Bolsonaro sentar com os presidentes da Câmara e do Senado e com os governadores e ainda vetar o aumento de salário de servidores. Porém, Maciel alertou que, se o ambiente voltar a se deteriorar, com piora do ambiente político ou a adoção de medidas populistas de aumento de gastos públicos, o dólar voltará a subir.

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