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Com tensão no governo, dólar vai a R$ 5,61 e Bolsa cai 1,4%

O mercado financeiro registrou ontem (26) mais um dia de forte oscilação, ainda refletindo as apreensões em relação ao aumento do déficit fiscal do go­verno, mas também puxado pela indicação de novo atrito entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Bolsonaro criticou, pu­blicamente, a proposta apresentada pela equipe econômica para bancar o Renda Brasil, novo programa social que o presidente quer colocar no lugar do atual Bolsa Família.

Depois de chegar a R$ 5,63 na máximo do dia, o dólar fechou o pregão negociado a R$ 5,61, o que representou variação de 1,59%. O Ibovespa, principal índice da B3, teve queda de 1,46%, aos 100.627 pontos, a despeito do movimento favorável no exterior, com o S&P500 e a Nasdaq re­novando máxima histórias.

O estrategista-chefe da In­finity Asset, Otávio Aidar, lem­brou a divulgação de dados econômicos positivos, melho­res até do que o esperado, mas mesmo assim o medo de desarranjo fiscal do país predomina nas decisões dos investidores.

“Todo mundo no mercado sabe que o pessoal do Ministério da Economia é muito bom e sabe fazer conta. Sendo assim, se eles falam que não dá para chegar aonde o presidente quer, é porque não dá”, afirmou Aidar, referindo-se ao desejo de Bolsonaro de pagar benefício médio de R$ 300 no Renda Brasil. Para tanto, Guedes pro­pôs o fim de deduções no Imposto de Renda (IR) e o corte de outros programas sociais, como o abono salarial.

DEFENSIVO

“Há um problema muito sério no governo, de comunicação ou entrosamento. Não dá para saber ao certo o que, de fato, está acontecendo: há muita confusão, muito ruído, para se prever qual será o desfecho”, disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura, acrescentando que a incerteza recomenda viés “defensivo” para as ativos.

“Não dá para saber direito em que direção o governo vai, mas o Posto Ipiranga (como Bolsonaro costuma chamar o ministro da Economia) está perdendo status, não tem aquele poder absoluto que, desde a campanha, se dizia que teria. O momento é ruim para o Guedes e para o mercado”, acrescentou.

O dólar chegou a abrir o dia em queda, mas ainda pela manhã inverteu a trajetória, depois das declarações feitas por Bolsonaro. No meio da tarde, o Ibovespa bateu a mínima do dia, abaixo dos 100 mil pontos, com perdas superiores a 2% na sessão.

Aidar, da Infinity Asset, chama a atenção para os riscos de o país sair da crise “com as torneiras abertas”. “A crise de 2008 deveria ser um exemplo do que não fazer, pois lá o gover­no brasileiro abriu a torneira e depois não conseguiu fechar”, afirmou. O estrategista ressaltou que a relação dívida bruta/PIB do Brasil está em 84%, com risco de chegar a 100% do Produto Interno Bruto no fechamento do ano. Outros emergentes como Índia estão com 70%, enquanto no México o índice é 54%.

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