Política-ABC, Ribeirão Pires

Com prefeitura endividada em R$ 239 milhões, Volpi prevê fazer ‘governo médio’

Com prefeitura endividada em R$ 239 mi, Volpi prevê fazer ‘governo médio’
Pacheco: “Precisamos enxugar a máquina pública e buscar aumento de receitas”. Foto: Divulgação/PMETRP

O prefeito de Ribeirão Pires, Clovis Volpi (PL) herdou de seu antecessor, Adler Kiko Teixeira (PSDB), dívidas de R$ 238,9 milhões, valor equivalente a 64% dos R$ 373 milhões em receitas previstas no orçamento do município para este ano. Do total devido, R$ 87,3 milhões referem-se a restos a pagar, como são chamadas as obrigações decorrentes de serviços já executados para as quais não há recursos em caixa para honrá-las.

Os dados, referentes a 1º de janeiro, foram divulgados durante entrevista coletiva concedida pelo prefeito e por parte do secretariado nesta quinta-feira (4), no anfiteatro do Centro Cultural Ribeirão Pires. “Uma verdadeira catástrofe administrativa”, resumiu Volpi, ao se referir à situação financeira deixada pela gestão anterior.

“Quando saí candidato imaginava encontrar a prefeitura com alguma dificuldade financeira. Porém, o que vimos aqui são problemas de muita gravidade. Nunca vi desmando tão grande em meus 50 anos de vida pública. Vamos demorar para consertar. Se estancarmos agora (os gastos) levaremos 20 anos para equalizar essa dívida. Foi uma gestão temerária, e quem vai sofrer com isso é o povo”, disse o prefeito.

Volpi reconheceu que, diante do rombo nas finanças do município, poderá no máximo fazer um “governo de nível médio”. “Não haverá dinheiro para obras mirabolantes. Nosso único objetivo é a construção do hospital, até porque não servirá somente nossa população, mas também a de Rio Grande da Serra”, prosseguiu.

Segundo o secretário de Finanças, Eduardo Pacheco, a prefeitura deve lançar nos próximos dias um pacote fiscal com o objetivo de reduzir os custos da administração. A principal medida é o projeto de reforma administrativa, que será submetido à apreciação da Câmara, com o qual Volpi pretende cortar de 21 para 12 o total de secretarias, além de diminuir o número de comissionados. Só com a reforma o Paço prevê economizar R$ 5 milhões anuais.

Outras medidas são a análise – já em andamento – de todos os contratos vigentes e a renegociação com fornecedores que tenham pagamentos pendentes, com o objetivo de obter desconto e parcelamento dos valores devidos. “Precisamos enxugar a máquina pública e buscar aumento de receitas”, disse Pacheco, destacando que as condições para renegociação constarão de decreto a ser publicado até o final deste mês.

Entre os credores da prefeitura está o Instituto Municipal de Previdência de Ribeirão Pires (Imprerp), que   tem aproximadamente R$ 47 milhões a receber. “O valor inclui contribuições patronais e funcionais não pagas que tiveram o parcelamento autorizado pela Câmara, bem como o não recolhimento da parte patronal em 2020, o que foi autorizado por legislação federal (no Programa de Enfrentamento ao Coronavírus) e será objeto de projeto de parcelamento a ser encaminhado ao Legislativo”, explicou o secretário.

INTERRUPÇÃO

Pacheco admitiu que há risco de interrupção na prestação de serviços com atraso nos pagamentos. “Temos riscos iminentes. Diariamente somos notificados por fornecedores que deixam de prestar seus serviços. Porém, de uma forma ou de outra, tentamos não deixar faltar (insumos), principalmente na área da Saúde”, afirmou.

O secretário de Finanças revelou ainda que a prefeitura pretende aperfeiçoar suas ferramentas de inteligência fiscal, com o objetivo de elevar a arrecadação. Segundo o chefe da pasta, a dívida ativa do município está na casa de R$ 500 milhões, dos quais R$ 40 milhões são “recuperáveis”. Revelou também que a prefeitura deve lançar, no segundo semestre, um programa de parcelamento de débitos, popularmente conhecido como Refis.

Pacheco comentou que Volpi cogitou deixar o Consórcio Intermunicipal por “razões financeiras, e não políticas”, mas foi demovido da ideia pelo presidente do colegiado e prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), que prometeu encaminhar ao governador João Doria (PSDB) pleito para conclusão de hospital Santa Luzia. O município reivindica R$ 10 milhões para a obra.

um comentário

  1. Bom dia

    Prezados

    Recebi uma publicação para participar de um processo de licitação,mas diante da situação financeira desta administração,teremos que agendar uma reunião com os acionistas da empresa e o secretário da Fazenda deste município,para discutirmos sobre o assunto.

    Certo de sua atenção permaneço no aguardo para eventuais esclarecimentos pertinentes ao assunto.

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